A importância da segunda opinião em oncologia
Pesquisas anteriores indicam que segundas opiniões em tratamento oncológico tendem a reduzir o tratamento com mais frequência do que a intensificá-lo
Mais lidas
compartilhe
SIGA NO
A busca por uma segunda opinião para o tratamento dos cânceres resultou em uma economia média de milhares de dólares, de acordo com um estudo norte-americano recentemente publicado. Muitos pacientes que buscaram uma segunda opinião não alteraram seu plano de tratamento original.
Uma análise retrospectiva de um estudo realizado por pesquisadores norte-americanos mostrou que subespecialistas que alteraram o tratamento para pacientes recém-diagnosticados com mieloma múltiplo, câncer colorretal, câncer de cabeça e pescoço, e câncer de pulmão reduziram os custos em uma média de US$ 15 mil por paciente.
- Suplementos podem interferir no tratamento do câncer
- Os avanços na oncologia em 2025: foco na IA
- Avaliação oncogenética nos cânceres digestivos em jovens
A magnitude da economia de custos, para certos pacientes, foi bastante surpreendente segundo os pesquisadores, que avaliaram, entre outros casos, pacientes que haviam sido diagnosticados inicialmente com mieloma múltiplo ativo. Quando buscaram uma segunda opinião, o subespecialista revisou o diagnóstico e o alterou para mieloma indolente. O mieloma indolente não requer tratamento. Esses pacientes teriam recebido terapia medicamentosa de custo na casa das centenas de milhares de dólares.
Segundas opiniões levam à redução do tratamento
Pesquisas anteriores indicam que segundas opiniões em tratamento oncológico tendem a reduzir o tratamento com mais frequência do que a intensificá-lo, de acordo com o contexto do estudo.
Em uma investigação anterior com 120 casos de câncer, Roman e seus colegas descobriram que 42 pacientes apresentaram “mudanças clinicamente significativas” em seus planos de tratamento. As mudanças variaram de 23% para câncer colorretal e mieloma múltiplo a até 57% para tumores malignos de cabeça e pescoço.
A hipótese levantada pelos investigadores - Roman e colaboradores - foi a de que as segundas opiniões poderiam levar a uma redução de custos de tratamento, uma vez que poderiam implicar menor indicação dessas terapias.
A análise incluiu dados previamente publicados de 120 pacientes (idade média na consulta: 60 anos; 59% mulheres; 74% brancos) que consultaram um centro oncológico de grande volume com especialização em segundas opiniões em 2018. A coorte tinha um número igual de pacientes (n = 30) com diagnóstico recente e sem tratamento de mieloma múltiplo, câncer colorretal, câncer de cabeça e pescoço ou câncer de pulmão. O impacto nos custos decorrentes das mudanças no tratamento foi o desfecho primário.
Economia de milhares de dólares
No total, 43 pacientes alteraram seus tratamentos após uma segunda opinião. Quase metade das mudanças (49%) envolveu a redução ou eliminação de cirurgias, 21% dos pacientes passaram do tratamento para a observação e 14% adicionaram ou aumentaram a cirurgia. Entre os pacientes que tiveram modificações no tratamento, 16% apresentaram custos mais altos, 72% custos mais baixos e 12% sem alterações.
Os pesquisadores descobriram que três dos pacientes com custos mais altos tiveram uma melhora esperada no prognóstico após a segunda opinião, e os outros quatro tiveram benefícios esperados na morbidade a curto e/ou longo prazo.
O paciente com o maior aumento de custos (US$ 71.278) recebeu um plano de tratamento de quimioterapia paliativa, em não conformidade com as diretrizes durante a consulta inicial. A segunda opinião consistiu em um regime com intenção curativa.
Leia Mais
O grupo de pacientes que alterou seus tratamentos teve uma economia total de US$ 1.801.842, uma média de US$ 41.903 por paciente. Pacientes com câncer de pulmão apresentaram a menor economia média (US$ 6.866), e aqueles com mieloma múltiplo, a maior (US$ 186.158). A coorte geral apresentou uma economia média de US$ 15.015 por paciente (variação: US$ 2.517 para câncer de pulmão a US$ 43.437 para mieloma múltiplo).
Os pesquisadores, entretanto, reconheceram as limitações do estudo, incluindo o tamanho reduzido da amostra e o uso de custos estimados para os planos de tratamento. Os autores também enfatizaram que o acesso a cuidados de subespecialistas é um grande desafio, mas acreditam que hajam cada vez mais oportunidades para a utilização de inteligência artificial e a ampliação do acesso a conhecimentos especializados por meio de segundas opiniões virtuais (telemedicina) e/ou plataformas de IA, onde é possível consultar a opinião de um subespecialista sobre um caso sem precisar se deslocar até o consultório onde ele atende.
Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia
Segundo os autores, quando se trata de soluções tecnológicas, elas precisam ser integradas ao fluxo de trabalho de médicos de atenção primária ou outros médicos para serem utilizadas, mas há cada vez mais oportunidades de incorporar informações de alta qualidade, guiadas por subespecialistas, ao fluxo de trabalho e torná-las acessíveis no momento do atendimento.
As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.
