A disputa pelo governo de Minas em 2026 começa a ganhar contornos mais nítidos, e o PSDB já delimita seu ponto de partida. À coluna, o presidente estadual do partido, Paulo Abi-Ackel, foi direto ao afirmar que “o nome de Rodrigo Pacheco é o mais viável neste cenário”. Ainda sem formalização, a sinalização indica a disposição tucana de convergir em torno do senador.
O movimento ocorre dentro de uma lógica conhecida da política mineira. A origem da palavra “rival”, do latim rivalis, designava aqueles que dividiam o mesmo rio. Mais do que adversários inconciliáveis, eram vizinhos em disputa por um recurso comum. Em Minas, a dinâmica se repete: os atores competem, mas dentro de um mesmo campo compartilhado.
A posição do PSDB, no entanto, é cuidadosamente calibrada. Abi-Ackel descarta qualquer vinculação ao projeto nacional do PT e afasta a hipótese de dividir palanque com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que apoia Pacheco. A estratégia combina aproximação local com distanciamento nacional, numa tentativa de preservar a identidade partidária sem abrir mão da viabilidade eleitoral.
Nos bastidores, a relação entre Pacheco, Abi-Ackel e Aécio Neves sustenta esse desenho. Próximos desde a passagem do senador pela Câmara, mantêm interlocução frequente sobre o cenário mineiro. Não há anúncio formal, mas há coordenação política em curso, com jantares reservados, encontros frequentes e um canal de diálogo que, muitas vezes, supera as articulações oficiais.
Internamente, o PSDB trabalha com o lançamento de Aécio ao Senado. Aliados apontam desempenho consistente do ex-governador em levantamentos internos. Procurados pela coluna, interlocutores do deputado confirmaram que as conversas com Pacheco existem. O próprio presidente estadual do partido não negou a possibilidade de uma aliança formal.
Circulou também a hipótese de que Aécio poderia desempenhar papel semelhante ao de Geraldo Alckmin em 2022, como ponte em uma aliança mais ampla. A avaliação, no entanto, foi descartada pela cúpula tucana, que rejeita qualquer paralelo nesse sentido.
Do lado do PT, o tabuleiro também se reorganiza. Caso Pacheco confirme candidatura ao governo, o partido trabalha com o nome da prefeita Marília Campos para o Senado. Pacheco, por sua vez, conta com o apoio de Lula, o que adiciona complexidade ao arranjo.
As resistências seguem claras. Petistas rejeitam qualquer composição com Aécio, enquanto tucanos mantêm o veto ao PT. Ainda assim, interlocutores discutem saídas indiretas. Um dos cenários em avaliação prevê Aécio no palanque de Pacheco sem associação a Lula, enquanto o presidente apoiaria outro nome ao Senado, como o ex-procurador Jarbas Soares (PSB), evitando confronto direto. Ambos disputariam a segunda vaga, já que a primeira na chapa de Pacheco tende a ser ocupada por Marília.
Em paralelo, o presidente do PT, Edinho Silva, sinalizou disposição para dialogar com Aécio sobre o cenário mineiro. Há, de fato, motivação política para que esse encontro ocorra, segundo apuração da coluna, mas a conversa ainda não foi realizada. A iniciativa é tratada como gesto de distensão, sem discussão formal de apoio. No PSDB, a leitura é de baixa efetividade, embora o canal tenha sido aberto.
O que se desenha, por ora, não é uma aliança consolidada, mas um campo político em reorganização. Em Minas, onde todos disputam o mesmo curso de poder, a eleição de 2026 tende a ser definida menos por afinidades e mais pela habilidade de avançar sem romper.
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