Você já sentiu que, apesar de todo o seu esforço, a vida às vezes parece travada? Como se estivesse em uma esteira ergométrica, gastando uma energia absurda para continuar exatamente no mesmo lugar?
Há pessoas que fazem muito e, ainda assim, sentem que não avançam. Outras fazem menos, mas seguem com mais estabilidade. A diferença nem sempre está na quantidade de esforço, mas na direção. Para alguns, é como se estivessem nadando contra a correnteza.
Na visão sistêmica de Bert Hellinger, a vida segue um fluxo. Mas, sem perceber, muitas vezes escolhemos o caminho contrário. Quem nada contra esse fluxo gasta energia apenas para se manter. Falta fôlego para o que ainda pode ser construído. A vida segue, mas passa a pesar.
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Para Bert, nadamos contra a correnteza sempre que permanecemos presos a mágoas antigas, como se ainda fosse possível ajustar o passado. Quando não aceitamos as escolhas de nossos pais. Quando tentamos conduzir a vida dos filhos que já possuem o próprio caminho, assumindo responsabilidades que não nos pertencem. Quando resistimos ao que já aconteceu, insistindo em lutar com fatos que não mudam.
Isso também aparece de forma sutil no dia a dia. Em relações que exigem um esforço constante para se sustentar, como se tudo dependesse de você. Em ambientes de trabalho onde é preciso se provar o tempo inteiro para ocupar um lugar. Em conversas simples que se tornam desgastantes, como se houvesse sempre algo a ser defendido ou corrigido.
Há uma tentativa de ajuste permanente. Como se, insistindo o suficiente, fosse possível reorganizar o que já foi, ou aliviar o que ainda pesa. Mas a vida não responde a esse tipo de movimento. Assim como a correnteza, ela segue, independentemente da nossa resistência.
Quanto mais alguém se coloca em oposição a esse fluxo, maior tende a ser o desgaste.
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Isso não acontece por acaso. Ao longo da vida, aprendemos que é preciso lutar para conquistar espaço, provar valor e sustentar escolhas. Esse aprendizado, embora importante em alguns contextos, pode nos levar a um padrão de esgotamento. Como se, para manter o básico, fosse preciso ir sempre além do necessário.
Quando você nada contra a correnteza o tempo todo, talvez não esteja avançando. Está apenas tentando sustentar situações, relações ou escolhas que já não fazem mais sentido para você.
Uma insistência que não gera movimento, apenas prolonga o desgaste.
Ainda assim, nem todo movimento contra a correnteza é um erro.
Na natureza, o salmão nada rio acima. Ele enfrenta o fluxo, supera obstáculos e segue em direção à origem. Existe desgaste, existe risco, mas existe também precisão. Não se trata de oposição ao rio, mas de resposta a um impulso que faz sentido dentro do ciclo da vida.
Há esforços que constroem. Há esforços que apenas mantêm um desgaste em curso.
Em alguns momentos, insistir é necessário. Em outros, insistir prolonga um desgaste que já poderia ter sido encerrado.
Nem sempre é simples diferenciar.
Mas o corpo costuma sinalizar. O excesso de tensão, a repetição de situações semelhantes, a sensação de estar sempre no mesmo ponto, mesmo após muito investimento de energia. A percepção de que a vida está pesada demais. Esses sinais, muitas vezes, indicam onde está o desalinhamento.
Existe um tipo de força que vem da ação. E existe outra que vem da aceitação.
Aceitar, nesse contexto, não é concordar com tudo, nem se acomodar. É reconhecer o que não pode ser alterado e, a partir disso, reposicionar a própria energia. É deixar de investir força onde não há possibilidade de transformação.
Quando esse movimento acontece, algo muda de lugar.
O esforço diminui. Não porque a vida ficou mais fácil, mas porque deixou de ser combatida.
A energia que antes era direcionada para sustentar tensões começa a ficar disponível para escolhas mais simples, mais diretas, mais possíveis.
A vida continua trazendo desafios, como sempre trouxe.
Mas a relação com eles pode ser outra.
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Quando você para de nadar contra a correnteza e vira o corpo no sentido do fluxo, a força que antes te vencia passa a te conduzir.
