Hoje quero te convidar a olhar para um ponto que influencia diretamente a forma como você vive, escolhe e se posiciona: a relação entre autoestima e merecimento.
Esse é um tema recorrente no consultório. Na maioria das vezes, não aparece de forma explícita. Ele se revela nas entrelinhas, nas escolhas, nos limites que não são colocados e nas situações que se repetem.
Diante de desafios, é comum surgir um pensamento quase automático:
“Eu não mereço isso” ou, em alguns momentos, “Eu mereço algo melhor”.
Mas o que, de fato, sustenta essa percepção de merecimento?
Muitas vezes, não temos clareza. Sem perceber, passamos a depender da validação externa para nos sentirmos suficientes. O olhar do outro, a aprovação e o reconhecimento passam a ocupar um lugar que deveria ser interno.
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Quando isso acontece, a autoestima se torna vulnerável.
O merecimento deixa de ser uma convicção para se tornar algo condicionado ao olhar do outro e às circunstâncias externas.
É nesse movimento que muitas pessoas permanecem por anos em situações que já não fazem sentido, não por falta de capacidade, mas por não se reconhecerem como alguém que pode escolher diferente, mantendo relações que já não fazem bem, tendo dificuldade de estabelecer limites e permanecendo em ambientes profissionais que não oferecem crescimento ou reconhecimento.
Existe uma relação direta entre a forma como você se enxerga e aquilo que você aceita viver.
Quando carregamos crenças limitantes sobre quem somos ou sobre o que podemos alcançar, isso impacta nossa autoimagem, nossa confiança e o nosso senso de valor. Muitas vezes, sem perceber, passamos a nos sabotar.
O primeiro passo não está em mudar tudo ao mesmo tempo, mas em desenvolver consciência sobre esses padrões.
Aprender a confiar mais em si mesmo não tem relação com arrogância, mas com a construção de um amor-próprio saudável. Isso envolve respeito por si, afastar-se de pessoas e situações tóxicas, fazer escolhas mais conscientes e sustentar um movimento real de autoconhecimento.
Esse movimento não acontece por acaso. A forma como nos enxergamos influencia diretamente a maneira como vivemos. Pesquisas, como as conduzidas pela Universidade de Stanford, mostram que a autoestima impacta nossos relacionamentos, nossa motivação e a forma como lidamos com desafios. Na mesma direção, estudos da Universidade de Harvard indicam que, quando o senso de merecimento está mais fortalecido, há uma tendência maior de estabelecer metas mais ambiciosas, persistir diante das dificuldades e aproveitar melhor as oportunidades ao longo da vida.
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É crucial entender que ninguém, absolutamente ninguém, pode definir o nosso valor além de nós mesmos. Nossos objetivos e metas precisam estar claros, e não devemos permitir que outros determinem por nós. Assumir a responsabilidade pela própria vida é essencial para alcançar aquilo que realmente merecemos.
Esse movimento também passa por um ponto que, muitas vezes, é negligenciado: a aceitação. Aceitar quem você é hoje, sem distorções ou negações, é o que permite construir qualquer mudança real. Ao mesmo tempo, reconhecer que existe uma responsabilidade individual em se tornar quem se deseja ser. Não se trata de se conformar, mas de partir de um lugar de verdade para sustentar novas escolhas.
Assumir essa responsabilidade é um ponto de virada.
A partir disso, suas escolhas deixam de ser guiadas apenas pelo externo e passam a refletir aquilo que, de fato, faz sentido para você.
Como bem refletiu Henry Stanley Haskins, “o que está atrás de nós e o que está à nossa frente são questões pequenas comparadas ao que está dentro de nós”.
É nesse movimento que o olhar se reorganiza.
O valor deixa de ser buscado fora e começa a ser reconhecido internamente.
A crença no merecimento e a autoestima caminham juntas.
Quando você acredita que pode viver relações mais saudáveis, conquistar novos espaços e construir uma vida mais alinhada com quem você é, sua postura muda.
Quando essa crença não está fortalecida, o movimento também aparece, mas no sentido oposto: dúvidas, insegurança e permanência em padrões que limitam.
Autoestima e merecimento não são fixos. Eles se constroem, se revisam e se fortalecem ao longo da vida.
Esse processo envolve revisar crenças, valorizar conquistas, desenvolver novas habilidades e, principalmente, construir uma relação mais honesta consigo mesmo.
Como aponta a pesquisadora Brené Brown, acreditar que somos dignos de amor, pertencimento e alegria é o que sustenta muitas das nossas escolhas.
Quando você fortalece essa percepção, algo muda.
Você passa a estabelecer limites com mais clareza, a fazer escolhas mais alinhadas e, de forma mais consciente, deixa de aceitar qualquer coisa apenas por medo de não encontrar algo melhor.
Ao compreender a relação entre autoestima e merecimento, você começa a perceber que não se trata apenas do que deseja conquistar, mas do quanto se reconhece capaz de viver aquilo que deseja.
Esse é um ponto de reflexão que nem sempre é confortável, mas é transformador:
Você tem buscado aquilo que deseja… ou apenas aquilo que acredita que merece?
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