O Rio Grande do Sul é historicamente uma rota de ciclones devido à sua posição geográfica, que favorece o encontro de diferentes massas de ar. No entanto, eventos recentes, como as enchentes devastadoras de 2024, evidenciam que a intensidade desses fenômenos tem aumentado. Esse cenário, potencializado pelos efeitos do aquecimento global, transforma o estado em uma área criticamente vulnerável a eventos climáticos extremos.
A recorrência e a força dessas tempestades não são um acaso, mas resultado de uma combinação de fatores geográficos e climáticos que criam as condições ideais para a sua formação.
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O que torna o Rio Grande do Sul um 'corredor de ciclones'?
A localização geográfica do estado é o principal fator. O Rio Grande do Sul funciona como uma zona de encontro entre massas de ar com temperaturas muito diferentes: o ar frio que avança da Antártida e o ar quente e úmido vindo da Amazônia.
Esse choque de temperaturas e pressões atmosféricas é o gatilho para a formação de sistemas de baixa pressão, que dão origem aos ciclones. Os principais elementos que contribuem para este cenário são:
Encontro de massas de ar: o ar polar, frio e seco, colide com o ar tropical, quente e úmido. Essa interação gera instabilidade e favorece a formação de frentes frias e ciclones.
Proximidade com o oceano: o Oceano Atlântico fornece a umidade e o calor necessários para alimentar as tempestades, tornando-as mais potentes.
Relevo plano: a ausência de grandes barreiras montanhosas, como a Cordilheira dos Andes, permite que as massas de ar frio avancem livremente pelo continente, facilitando o encontro com o ar quente.
Como as mudanças climáticas intensificam os ciclones na região?
O aquecimento global age como um combustível para esses fenômenos, principalmente ao aquecer os oceanos. "O Atlântico Sul, que banha a costa do estado, registrou temperaturas até 2°C acima da média em anos recentes. Essa energia extra é diretamente convertida em ciclones mais potentes e com maior capacidade de gerar chuva", explica a climatologista Marina Alves, do Centro Polar e Climático da UFRGS.
Uma atmosfera mais quente também consegue reter mais vapor d'água. Isso significa que, quando um ciclone se forma, ele tem um reservatório maior de umidade para gerar chuvas torrenciais, aumentando o risco de inundações e deslizamentos, como observado em eventos severos na última década.
Quais os tipos de ciclone que atingem o estado?
Os fenômenos que mais afetam o Rio Grande do Sul são geralmente de dois tipos, cada um com características próprias que determinam seu impacto na região.
Ciclone extratropical: é o tipo mais comum na Região Sul. Forma-se fora das áreas tropicais e está associado a frentes frias. Suas principais características são ventos fortes, chuvas intensas e queda acentuada da temperatura após sua passagem.
Ciclone subtropical: possui características híbridas, entre o extratropical e o tropical. Forma-se sobre as águas mais aquecidas do Atlântico e, embora seus ventos possam ser menos abrangentes, costuma provocar grandes volumes de chuva.
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Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.
