editorial

Crise meteorológica é urgência do presente

Impactos das chuvas na Paraíba, em Pernambuco e no Rio Grande do Sul evidenciam que o enfrentamento aos extremos climáticos precisa ser aprimorado no país

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São evidentes os impactos das chuvas intensas na Paraíba, em Pernambuco e no Rio Grande do Sul nos últimos dias. Ruas inteiras tomadas pelas águas, operações de resgate em meio a armadilhas submersas, milhares de desabrigados, ao menos oito mortos – incluindo crianças – e o desafio de retomar a vida impactada por tamanha destruição. Registrou-se em horas volumes de água esperados para cerca de 30 dias. Desconsiderar a complexidade dessas ocorrências é indevido, mas a repetição de episódios do tipo e dos estragos causados por eles também evidencia que o enfrentamento aos extremos climáticos precisa ser aprimorado em todo o país.

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Há exatos dois anos, mais de 90% dos municípios gaúchos foram atingidos no que foi considerado o maior desastre natural da história da região. De lá para cá, faltam dedos para contabilizar outras emergências ambientais que voltaram a assustar os brasileiros. São Paulo mergulhou em um caos após ser atingido por vendaval sem precedentes, um tornado de grande intensidade varreu cidades do Paraná, a Zona da Mata mineira enfrentou uma supercélula – tempestade rara e severa –, a seca extrema inviabilizou a navegação por rios amazônicos, ondas de tempestade e estiagem mudaram a rotina dos moradores do DF e Entorno.


Essa recorrência significativa dos extremos climáticos e o agravamento na intensidade ofuscam qualquer argumento, por parte de gestores públicos e privados, de que a resposta a eles está no campo da imprevisibilidade. É sabido, por exemplo, que o efeito estufa aquece os oceanos, levando a uma maior evaporação da água e, consequentemente, às chuvas torrenciais. Como se não bastasse, Sul e Nordeste, com cidades agora alagadas, há pelo menos dois anos registram ao menos duas provas irrefutáveis de que a temperatura de suas águas anda desregulada: a infestação de águas-vivas nas praias e o encolhimento dos mariscos nos pratos. Fica difícil, dessa forma, aceitar que as chuvas extremas são completamente inesperadas.


Nesse sentido, cientistas do clima têm alertado que o planeta pode enfrentar ainda neste ano um super El Niño, o mais forte em 140 anos. O último contribui para que 2023 e 2024 configurem entre os anos mais quentes da história. Não à toa, a grande tragédia que assolou os gaúchos se deu justamente nesse período. Afirmar que o Brasil não sairá imune de uma nova leva de aquecimento anormal das águas do Pacífico não é alarmismo. É constatação baseada em ciência. E, por isso, exige de gestores comprometidos com a população um preparo técnico para mitigar ao máximo os prejuízos e, sobretudo, salvar vidas.

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Confirmada a volta do El Niño, os fenômenos esperados para o Brasil – excesso de chuvas no Sul e períodos mais secos no Norte e Nordeste – se darão durante as disputas eleitorais. A coincidência no calendário não pode passar despercebida. A essa altura da crise climática, quem restringe o enfrentamento a medidas paliativas está ultrapassado. A crise meteorológica é uma urgência do presente. Precisa, portanto, ser prioridade para qualquer um que deseje se aventurar pela gestão urbana.

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