Sofá de cerca de R$ 24 mil não assusta, mas manutenção vira resistência: eletricista alerta para instalações elétricas antigas em casas com muitos aparelhos
Especialistas alertam que aparelhos modernos exigem novas proteções; entenda como pequenas mudanças evitam riscos e blindam seu lar conectado
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Casas modernas reúnem painéis solares, carregadores de veículos elétricos, sistemas de automação KNX e eletrodomésticos com componentes eletrônicos sensíveis. Por trás das paredes, muitas residências hiperconectadas escondem uma infraestrutura elétrica obsoleta que coloca em risco toda essa inovação.
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O alerta partiu de Rodrigo Martín, eletricista de 30 anos e CEO da empresa Somoscables, e de seu pai Víctor, profissional com mais de cinco décadas de atuação. Ambos debateram a questão durante participação no podcast de "Schneider Electric España".
Os técnicos descrevem um problema cultural comum no setor. Segundo Rodrigo: "As pessoas não se importam em gastar 4.000 euros em um sofá, mas se importam em gastar na instalação elétrica". O profissional relata que proprietários chegam a investir 50.000 ou 60.000 euros em reformas, mas economizam na estrutura elétrica, pois a energia só costuma ser lembrada quando ocorrem falhas.
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Mudanças no setor e riscos invisíveis
O perfil dos trabalhadores mudou com o avanço tecnológico. Rodrigo destaca a transformação da rotina técnica: "Já não somos tanto eletricistas, somos mais robóticos. Nos dedicamos a coisas que mudaram tudo: placas solares, veículos elétricos, domótica. Ou você se atualiza hoje em dia ou fica no nada".
Essa defasagem se agrava com a ausência de vistorias periódicas. Ao contrário de automóveis e redes de gás, que passam por inspeções obrigatórias, residências chegam a manter fiações deterioradas e quadros antigos por mais de meio século. Interruptores diferenciais tradicionais atendiam cargas resistivas de décadas passadas e ficam cegos diante de harmônicos e correntes contínuas pulsantes geradas por aparelhos atuais.
Tecnologias de proteção para lares conectados
Inovações de proteção continuam fora da maioria dos lares inteligentes. Equipamentos como detectores de arco elétrico (AFDD), capazes de identificar faíscas em conexões antes do surgimento de chamas para evitar incêndios, e diferenciais de Tipo A acrescentam um custo de apenas 200 euros em uma obra.
Os profissionais relatam a dificuldade de conscientizar os clientes: "Instalar uma proteção por arco elétrico não custa mais de 200 euros (cerca de 1.200 reais), mas é difícil transmitir essa mensagem porque a eletricidade não é visível".
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A conclusão de Rodrigo e Víctor aponta que investir em tecnologia avançada torna-se inútil quando o suporte físico, como fiação, proteções e quadros elétricos inteligentes, pertence ao século passado.