Procedimentos eletivos: que perguntar antes da sedação?
Medicamentos que reduzem o nível de consciência podem causar reações mais intensas que o planejado; cardiologista alerta para os cuidados antes de uma cirurgia
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Mesmo em procedimentos eletivos ou de baixo risco, é possível haver uma emergência médica inesperada. Isso porque intervenções realizadas sob sedação ou anestesia exigem não apenas profissionais capacitados, mas também estrutura adequada para reconhecer e tratar rapidamente possíveis complicações.
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Segundo o cardiologista Augusto Vilela, quando utilizados medicamentos que reduzem o nível de consciência, existe sempre a possibilidade de o paciente apresentar uma resposta mais intensa do que a esperada. "Ele pode desenvolver obstrução das vias aéreas, queda importante da oxigenação, redução da pressão arterial, alterações do ritmo cardíaco ou até uma parada cardiorrespiratória."
O especialista ressalta que o problema não está apenas na possibilidade de uma complicação acontecer, mas principalmente na capacidade de o serviço reconhecer e tratar imediatamente essa complicação. “Em uma emergência, minutos fazem diferença. Se o paciente deixa de respirar adequadamente, por exemplo, é necessário ter oxigênio, equipamentos para ventilação, aspiração e materiais para manejo das vias aéreas. Se ocorre uma parada cardíaca, é fundamental que exista um desfibrilador disponível e que a equipe saiba utilizá-lo imediatamente”, alerta.
Sedação não é sinônimo de procedimento sem risco
Um dos principais equívocos é considerar que sedação significa simplesmente "deixar o paciente dormindo", "Na realidade, existe uma continuidade entre os níveis de sedação", comenta Augusto.
"Um paciente inicialmente submetido a uma sedação planejada como moderada pode apresentar uma resposta mais profunda do que a esperada, com comprometimento da respiração e necessidade de intervenção para manter a via aérea e a ventilação", esclarece o médico.
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O que é um desfibrilador?
Em uma parada cardiorrespiratória causada por determinados ritmos cardíacos, a desfibrilação precoce pode ser determinante para a sobrevivência.
“O desfibrilador não serve apenas para situações cardiológicas previamente conhecidas. Uma pessoa que nunca teve diagnóstico de doença cardíaca pode apresentar uma arritmia grave durante um procedimento. Quando isso acontece, não podemos esperar que o paciente seja simplesmente transportado para outro local. O atendimento precisa começar imediatamente”, explica o cardiologista.
Isso não significa, porém, que a ausência de um desfibrilador, isoladamente, explique ou seja responsável por determinado óbito. "Somente uma investigação médica e pericial poderá estabelecer a causa da morte e se houve relação entre eventual ausência de equipamentos, atendimento prestado e desfecho", ressalta.
E se for necessária ventilação mecânica?
Outro ponto importante é a capacidade de oferecer suporte respiratório. Uma sedação profunda ou uma complicação anestésica pode levar à hipoventilação ou à apneia. Inicialmente, o atendimento pode exigir abertura da via aérea, oxigênio suplementar e ventilação manual com bolsa-válvula-máscara. Em situações mais graves, pode ser necessário manejo avançado da via aérea e suporte ventilatório.
“Não se trata de dizer que todo consultório precisa necessariamente funcionar como uma UTI. O que precisamos é que o ambiente seja compatível com o procedimento realizado e tenha condições de resgatar o paciente diante de uma complicação previsível. Quanto maior a profundidade da sedação e maior a complexidade do procedimento, maior precisa ser a capacidade de monitorização e suporte”, explica Augusto.
O que perguntar antes?
Segundo o cardiologista, é fundamental que o paciente participe da avaliação de segurança antes de realizar procedimentos eletivos.
Entre as perguntas importantes estão:
- Qual tipo de sedação ou anestesia será utilizado?
- Quem será responsável pela sedação e pela monitorização?
- O profissional possui habilitação específica para realizar a sedação?
- O local possui oxigênio, aspiração e equipamentos para ventilação?
- Existe desfibrilador disponível?
- Há monitorização contínua de oxigenação e outros parâmetros?
- Qual é o plano caso aconteça uma emergência?
- Existe serviço de emergência ou hospital de referência para transferência?
Augusto reforça que procedimentos estéticos são eletivos, o que permite que tudo seja feito com planejamento. “O paciente não deve ter vergonha de perguntar sobre segurança. Antes de pensar apenas no resultado estético, é fundamental se perguntar: se alguma coisa der errado, este local está preparado para me salvar?”, orienta.
"Quando há sedação ou anestesia, segurança, monitorização e capacidade de resposta a emergências precisam fazer parte do planejamento desde o primeiro momento", destaca o especialista.
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