O mês de outubro é marcado pelas celebrações de Halloween, época em que balas, chocolates, gomas e doces de diferentes formatos e sabores ganham ainda mais espaço nas prateleiras e nas comemorações. Mas, por trás das guloseimas temáticas, algumas escolhas e, principalmente, os excessos podem trazer consequências para a saúde digestiva. Queimação, azia, enjoo, gases e até episódios de diarreia estão entre os desconfortos que podem aparecer após o consumo exagerado de determinados produtos.
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Segundo a gastroenterologista pela Federação Brasileira de Gastroenterologia (FBG) e hepatologista, Rhaissa Carvalho Said Stancioli, a resposta do organismo varia de pessoa para pessoa e depende tanto da quantidade consumida quanto da composição dos doces. Pessoas com refluxo, síndrome do intestino irritável ou maior sensibilidade digestiva, por exemplo, podem apresentar mais sintomas após a ingestão dessas guloseimas.
Balas muito azedas podem prejudicar o estômago?
As famosas balas extremamente azedas, que costumam fazer sucesso nas festas de Halloween, têm seu sabor característico associado à presença de ácidos adicionados à composição, como o cítrico e o málico. Apesar da sensação intensa provocada na boca, esses produtos não são capazes de corroer o estômago.
“O estômago já tem um ambiente naturalmente ácido e uma barreira que protege sua parede. Portanto, essas balas não ‘corroem’ o estômago, mas, em excesso, podem provocar queimação, desconforto ou náusea em pessoas mais sensíveis. Em quem tem refluxo, também podem desencadear ardência. Isso não significa, necessariamente, que houve uma lesão ou uma gastrite”, explica a médica.
Excesso de açúcar e gordura pode provocar desconfortos
Dor abdominal, azia e enjoo são algumas das queixas que podem surgir depois de exagerar nos doces. A tolerância, entretanto, varia conforme as características individuais e a composição dos alimentos. Chocolates e outras preparações ricas em gordura, por exemplo, podem retardar o esvaziamento do estômago, favorecendo a sensação de estufamento e enjoo.
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Já alguns açúcares e adoçantes, quando não são bem absorvidos, chegam ao intestino e podem provocar gases, cólicas e diarreia. Comer rapidamente e em grandes quantidades também aumenta a possibilidade de desconfortos.
Outro cuidado envolve as gomas de mascar e os doces com recheios líquidos. Alguns produtos contêm adoçantes como sorbitol, manitol, maltitol e xilitol, conhecidos como polióis e frequentemente utilizados em alimentos sem açúcar. Dependendo da quantidade ingerida e da tolerância individual, essas substâncias podem atrair água para o intestino e ser fermentadas pelas bactérias, causando distensão abdominal, gases e diarreia.
“Mascar chiclete também aumenta a deglutição de ar, o que favorece arrotos e estufamento. Nos doces com recheio líquido, o que importa é a composição: o recheio ser líquido, por si só, não determina o efeito intestinal”, esclarece a especialista.
Comer doces pode causar gastrite ou piorar o refluxo?
Uma dúvida comum é se o consumo elevado de açúcar pode desencadear uma crise de gastrite. A médica explica que é importante diferenciar a inflamação do estômago dos sintomas digestivos que podem surgir após uma refeição exagerada.
A gastrite é uma inflamação da mucosa do estômago, frequentemente relacionada à bactéria Helicobacter pylori ou a mecanismos autoimunes. Portanto, comer doces não é uma causa habitual dessa condição, embora o excesso possa provocar dor, queimação e enjoo, sintomas que muitas pessoas acabam chamando popularmente de gastrite.
No caso do refluxo gastroesofágico, a relação pode ser diferente. Grandes quantidades de doces, especialmente chocolates, preparações gordurosas ou produtos muito ácidos, podem intensificar os sintomas, dependendo da sensibilidade de cada pessoa. Comer em excesso e deitar logo depois também favorece o desconforto.
“O mito é achar que todo doce causa gastrite ou que quem tem refluxo precisa proibir todos eles”, ressalta Rhaissa.
Como aproveitar o Halloween sem transformar a festa em um pesadelo digestivo?
A boa notícia é que não é necessário abrir mão das guloseimas para aproveitar as celebrações. A orientação é fazer escolhas conscientes, priorizando os doces preferidos e evitando consumir grandes quantidades de uma só vez.
Manter as refeições habituais, beber água e evitar deitar nas duas a três horas seguintes ao consumo são medidas importantes, especialmente para quem já apresenta sintomas de refluxo. Também vale observar os rótulos dos produtos, já que alimentos identificados como “sem açúcar” podem conter adoçantes capazes de provocar desconfortos intestinais.
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“Não existe uma quantidade única que todos tolerem. A ideia é aproveitar a festa sem transformar o doce em uma prova de resistência do aparelho digestivo”, acrescenta.
