Só em 2025, o Brasil registrou mais de 89 mil mortes causadas por acidente vascular cerebral (AVC), de acordo com dados da Sociedade Brasileira de AVC. Já em Minas Gerais, morrem 11 pessoas por dia em decorrência da doença, segundo dados recentes do último levantamento realizado pela Secretaria de Estado de Saúde (SES).

Próximo ao Dia Mundial e Nacional de Prevenção do AVC, lembrado nesta quinta-feira (29/10) é importante destacar como prevenir a doença, quais sintomas antecedem o quadro e outras informações. O AVC, atualmente, também é conhecido pela nomenclatura acidente vascular encefálico (AVE).

De acordo com o Ministério da Saúde, essa enfermidade acomete mais homens do que mulheres e acontece quando os vasos que levam o sangue ao cérebro entopem ou se rompem, causando a paralisia da região cerebral que ficou sem circulação sanguínea. Existem dois tipos de AVC: o hemorrágico e o isquêmico, sendo que o segundo representa 85% de todos os casos.

Fatores de risco

Entre os principais fatores de risco que aumentam a probabilidade de ocorrência de um AVC estão:

  • Pressão alta (hipertensão)
  • Diabetes tipo 2
  • Obesidade
  • Histórico familiar
  • Idade avançada
  • Um AVC anterior
  • Condições cardíacas preexistentes (fibrilação e insuficiência cardíaca)
  • Sedentarismo
  • Consumo de álcool, tabaco e drogas ilícitas

O neurocirurgião, professor e diretor de graduação da Faculdade Ciências Médicas de Minas Gerais (FCM-MG), Rodrigo Faleiro, ressalta que muitos dos fatores listados acima podem ser reduzidos por meio da mudança de hábitos. “Deve-se evitar o consumo excessivo de alimentos gordurosos, com alto teor de gordura, por exemplo, porque isso pode culminar com diabetes ou hipertensão. O tabagismo também causa um aumento bem nítido do risco de se ter um AVE”, alerta.

Apesar de a idade avançada ser um dos fatores de risco listados pela Organização Mundial da Saúde (OMS), o perfil dos pacientes com AVC mudou. Uma prova dessa mudança são os dados da Rede Brasil AVC, que apontam um crescimento de 18%, no Brasil, dos casos de pessoas entre 18 e 45 anos que sofreram com a doença.

“Algumas pessoas, mesmo saudáveis e jovens, podem ter AVC também. E aí entram as causas de AVC mais comuns em jovens. Por exemplo, uma dissecção de uma artéria do pescoço, que é chamada dissecção arterial; a ruptura de um aneurisma cerebral, que é um quadro súbito de muita dor e geralmente acomete pessoas mais jovens”, diz o neurocirurgião.

“Então, embora a gente tenha o AVE como o mais comum em pessoas idosas, ele pode acontecer em pessoas jovens ou durante um extremo exercício. Por exemplo, a utilização de alguns energéticos pode favorecer o aparecimento de AVE”, explica.

Sinais de alerta – teste SAMU

O AVC geralmente acontece de modo súbito, revela o especialista. Cada minuto após o surgimento dos sintomas é essencial, uma vez que existem algumas medicações que podem ser ministradas em até quatro horas após o início dos sintomas.

“A janela de tratamento do AVC é uma janela muito curta, ou seja, no início dos sintomas, existem algumas medicações que, se feitas em até 4 horas, no caso de um AVC isquêmico, podem mudar completamente o prognóstico. Então, a partir do início de um déficit neurológico, uma boca que está torta ou uma fraqueza, deve-se se dirigir imediatamente ao pronto atendimento e, idealmente, chegar com poucos minutos, no máximo uma hora após o início dos sintomas, para que dê tempo de fazer todo o protocolo e administração da medicação em até quatro horas do início dos sintomas.”

O AVC também pode ocorrer algumas vezes durante o sono, o que pode prejudicar o tratamento inicial da doença, já que não se sabe com precisão quando os sintomas se iniciaram.

Reconhecer os sinais é o primeiro passo para salvar vidas e reduzir riscos. O teste “SAMU” é um dos aliados nessa identificação. O método prático é composto por quatro passos:

  • S – Sorrir: peça à pessoa para sorrir e verifique se o ato está torto ou se um lado do rosto não se move
  • A – Abraçar: peça que a pessoa levante os dois braços e note se algum deles cai ou apresenta fraqueza
  • M – Música ou mensagem: peça para repetir uma frase simples ou cantarolar. Verifique se a fala está arrastada, incompreensível ou confusa
  • U – Urgência: ao notar qualquer um dos sinais acima, acione imediatamente o SAMU (192)

Sintomas que confundem

É possível confundir os primeiros sinais de um AVC com outras doenças menos graves, como enxaqueca e labirintite. No entanto, é imprescindível buscar atendimento médico para que os profissionais façam a diferenciação entre uma situação mais benigna, como a enxaqueca, e uma situação mais grave, como o próprio AVC.

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