O uso de medicamentos agonistas do receptor GLP-1, conhecidos como canetas emagrecedoras, tem mudado os hábitos de consumo dos pacientes. Junto do medicamento, produtos para fortalecimento do cabelo e vitaminas frequentemente acompanham as compras. Além disso, houve um aumento na procura por orientação farmacêutica.
"O paciente em tratamento consome uma gama específica de produtos voltados à melhoria da saúde e à reposição de minerais perdidos no processo" afirma Isabella Araujo Parreiras Gontijo, gerente comercial da Drogaria Araujo. Segundo estudo da NielsenIQ publicado em abril, em 2026, oito dos dez produtos que mais faturam nas farmácias brasileiras são as canetas de GLP-1, presentes em 5% dos lares. Outros 26% dos consumidores dizem ter interesse em usá-las. Entre os lares dos usuários, 84,4% aumentaram o consumo de proteína animal e 76,9% reduziram ou cortaram chocolates e doces.
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De acordo com Isabella, a indústria já percebeu a demanda e vem lançando mais produtos enriquecidos com proteína, alguns com selo na embalagem indicando suporte ao uso de GLP-1.
Efeitos colaterais
O medicamento imita o hormônio GLP-1, que retarda o esvaziamento do estômago e reduz o apetite. Com menos comida no prato, reduz também a ingestão de proteína, vitaminas, minerais e água. Náusea e constipação estão entre os efeitos colaterais mais frequentes, principalmente no começo do uso e quando a dose aumenta.
"Quando a perda de peso é acelerada pelo uso dos análogos de GLP-1 o corpo sente o impacto fisiológico imediato: intestino, massa muscular, cabelo e pele são os primeiros a reagir ao estresse metabólico", diz Hairton Guimarães, farmacêutico e consultor técnico da Araujo.
"No balcão, as dúvidas mudam de acordo com a fase do tratamento. No início da aplicação, a principal queixa são os enjoos e o intestino preso. Com o avanço do emagrecimento, chegam as perguntas sobre queda de cabelo, flacidez e cansaço por conta do déficit calórico. Na manutenção, a grande preocupação passa a ser o controle metabólico para não voltar a engordar", explica o especialista.
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A seguir, confira as queixas mais comuns de quem usa o medicamento e os produtos que podem ajudar em cada uma.
1. Massa magra
Junto com a gordura, o corpo perde músculo, e a força diminui. O risco é maior a partir dos 60 anos, quando a sarcopenia avança com a idade. Proteína em quantidade adequada e treino de força ajudam a frear a perda. Além dos suplementos e da creatina, barras proteicas podem ajudar a manter a massa muscular.
2. Saúde digestiva
É o pilar do enjoo, da azia, dos gases e do intestino preso. Fibras, probióticos e alimentos funcionais ajudam a regular o intestino. Para os sintomas mais incômodos, há medicamentos isentos de prescrição, usados com orientação do farmacêutico.
3. Queda capilar
O fio de cabelo é formado por proteína e depende de ferro, zinco, biotina e vitaminas do complexo B, nutrientes que podem faltar com a alimentação reduzida. A queda, na maioria dos casos, é temporária. As unhas também enfraquecem. Nesses casos, recomenda-se produtos para queda e fortalecimento capilar, além de vitaminas e multivitamínicos.
4. Firmeza da pele
A perda acelerada de gordura pode deixar a pele do corpo flácida e tirar volume do rosto, efeito apelidado de “rosto Ozempic”. A proteína da alimentação fornece os aminoácidos que o corpo usa para produzir colágeno, responsável pela sustentação da pele. Como alternativa, hidratantes e dermocosméticos anti-idade e firmadores completam o cuidado.
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5. Hidratação e eletrólitos
Quem come menos também ingere menos água, já que parte dela vem dos alimentos. O medicamento também pode reduzir a sensação de sede. Náusea e vômitos, quando aparecem, aumentam a perda de líquido e de sais minerais como sódio e potássio. O paciente fica cansado e sem disposição, às vezes sem perceber que está desidratado. Para evitar a desidratação, os repositores hidroeletrolíticos, também chamados de isotônicos, são uma alternativa.
6. Sono e ansiedade
A mudança na alimentação e na rotina pode atrapalhar o sono e deixar o paciente mais irritado e ansioso, e o estresse costuma aumentar a vontade de comer. Por isso, fitoterápicos e suplementos para o sono podem fazer parte do cuidado.
7. Cuidados sensoriais
Com menos líquido no organismo, boca, lábios e olhos podem ressecar e se tornarem um incômodo diário. Produtos para secura ocular, como lágrimas artificiais e hidratantes para rosto e lábios aliviam esse desconforto.
Cuidados com a suplementação
O uso das canetas também pode levar à falta de nutrientes, podendo exigir a suplementação. Mediante prescrição, é possível preparar fórmulas sob medida, com colágeno, creatina e vitaminas na dose e na combinação indicadas para cada caso, de acordo com o que o paciente precisa repor durante o tratamento.
“Muita gente leva proteína, fibra, colágeno e isotônico sem saber que tudo isso responde à mesma necessidade. Os sete pilares ajudam o cliente a encontrar o que precisa a partir da queixa que ele tem”, diz Isabella. A orientação é que o uso das canetas e de qualquer suplemento seja acompanhado por um médico ou nutricionista, que avalia o que cada paciente precisa.
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