O Dia Mundial do Ovo, nesta sexta-feira (9/10), lembra o alimento que cada dia está mais na mesa dos brasileiros. De acordo com a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), o consumo per capita de ovos no Brasil deve alcançar o recorde histórico de 301 unidades por habitante em 2026.

A projeção representa um crescimento de até 4,5% em relação às 288 unidades registradas em 2025. Dados da antiga União Brasileira de Avicultura (UBABEF) mostram que, em 2010, a média nacional era de apenas 148,85 unidades por habitante. O salto até 2025 representa uma expansão acumulada de aproximadamente 93,5%, praticamente dobrando a presença do item.

A médica e professora da pós-graduação em nutrologia da Afya Educação Médica Montes Claros, Juliana Couto Guimarães, comenta que o ovo é um alimento de alta densidade nutricional e reúne muitos nutrientes importantes em uma porção relativamente pequena. É fonte de proteínas de alto valor biológico, com todos os aminoácidos essenciais, além de vitaminas, minerais e compostos bioativos relevantes para a saúde.





“Ele apresenta uma proteína completa, de boa digestibilidade e com perfil adequado de aminoácidos essenciais, incluindo a leucina, importante para estimular a síntese de proteína muscular. A gema, por sua vez, concentra boa parte dos micronutrientes. Entre eles estão a colina, importante para a integridade das membranas celulares, a função hepática e a síntese de acetilcolina; a vitamina B12, fundamental para a formação das células sanguíneas e o funcionamento do sistema nervoso; além das vitaminas A, D e E, riboflavina e outras vitaminas do complexo B. Também fornece minerais como selênio, fósforo, ferro e zinco, além de luteína e zeaxantina, carotenoides relacionados à saúde ocular”.

Para acompanhar essa demanda crescente, a ABPA estima que a produção brasileira de ovos alcance até 64,8 bilhões de unidades em 2026, um avanço de 4,1% frente aos 62,253 bilhões produzidos no ano anterior. A médica alerta que um alimento saudável não precisa ser consumido em excesso para trazer benefícios e que, nos últimos anos, as redes sociais divulgam cada vez mais recomendações de dietas com quantidades muito elevadas de ovos com quatro, cinco, seis ou mais por dia.





“O principal cuidado é evitar que um alimento nutritivo venha acompanhado de excesso de gordura saturada, como no preparo com muita manteiga, gordura animal ou óleo, ou no consumo frequente com bacon, linguiça e queijos muito gordurosos. O ovo também contém colesterol, principalmente na gema, e algumas pessoas podem apresentar maior elevação do LDL com o aumento significativo desse consumo, especialmente aquelas com dislipidemia, hipercolesterolemia familiar, diabetes, doença cardiovascular ou maior risco cardiovascular”, complementa a especialista.

Ajuda contra o Alzheimer

Um estudo publicado em 2026 no The Journal of Nutrition, periódico da American Society for Nutrition, identificou que pessoas que consumiam ovos cinco ou mais vezes por semana apresentaram um risco 27% menor de diagnóstico de Alzheimer em comparação com aquelas que raramente ou nunca consumiam o alimento.

O médico e professor de neurologia da Afya Montes Claros, Marcelo José da Silva de Magalhães, comenta que uma das hipóteses para explicar essa associação envolve a colina, um nutriente essencial encontrado em concentrações particularmente elevadas na gema do ovo.





“A colina desempenha diversas funções importantes no organismo. Ela é precursora da acetilcolina, um neurotransmissor fundamental para processos como memória, aprendizagem e atenção, além de participar da formação e manutenção das membranas celulares e do metabolismo lipídico”.

Em outra análise, os pesquisadores observaram que a ausência de consumo de ovos esteve associada a um risco 22% maior de Alzheimer quando comparada a uma ingestão de aproximadamente 10 gramas por dia. O docente explica que, entre os fatores de risco não modificáveis, destacam-se aqueles relacionados à genética, como a presença do gene APOE 4. A idade avançada, o antecedente de traumatismo cranioencefálico e o histórico familiar positivo para a doença também estão entre os fatores que não se pode modificar.

“Por outro lado, existem os fatores de risco modificáveis, ou seja, aqueles sobre os quais o indivíduo pode atuar por meio de mudanças no estilo de vida. Nesse grupo estão a perda auditiva, a baixa escolaridade, a hipertensão arterial sistêmica, a obesidade, o tabagismo, a inatividade física, o diabetes mellitus, o consumo excessivo de bebidas alcoólicas, a depressão, o comprometimento visual, a exposição à poluição atmosférica e o isolamento social”, reforça o neurologista.

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