Que o colágeno é a estrela dos tratamentos para rejuvenescimento e tônus facial não é novidade. Os procedimentos para estímulo à produção dessa proteína ganham cada vez mais espaço nos consultórios dermatológicos, e o grande queridinho do momento é o ultrassom microfocado de alta intensidade (HIFU).
Conforme explica Anne Correia, médica e chefe do Núcleo de Dermatologia da Clínica Alvorar, no bairro Belvedere, em Belo Horizonte, a tecnologia atua na estrutura da pele, e não apenas na aparência imediata. “A energia liberada produz uma resposta biológica que leva à remodelação do colágeno e, consequentemente, à melhora gradual da firmeza e da sustentação da pele em diferentes níveis de profundidade”.
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Diferentes camadas da pele são trabalhadas conforme a escolha das ponteiras e intensidade dos estímulos, sendo as ponteiras de curvaturas distintas um dos diferenciais do equipamento mais indicado pela médica. “O sistema de disparo curvo foi desenvolvido para acompanhar regiões anatômicas que nem sempre oferecem uma superfície plana na hora de aplicar. A diferença é a maior precisão das regiões e camadas atingidas, maior controle e melhores resultados”.
A servidora pública Márcia Ribeiro Mesquita, de 64 anos, está sempre por dentro das novidades da beleza e considera necessário esse autocuidado ao longo dos anos. Ela conta que se surpreendeu com o efeito da tecnologia já com uma sessão. “Parece um efeito lifting imediato. Achei que melhorou o contorno da mandíbula e a flacidez. Já guardei o nome do procedimento para indicar para minhas amigas”.
Segundo Anne, o efeito é resultado de um aquecimento controlado, provocando, inicialmente, uma contração das fibras existentes e desencadeando um processo posterior de remodelação. “Com o passar do tempo, a pele desenvolve cada vez mais firmeza e sustentação na região tratada, mas já é possível perceber uma pele mais viçosa imediatamente após a sessão”.
Anatomia entra na mira dos novos equipamentos
Uma das importantes evoluções está relacionada não somente à intensidade da energia, mas à maneira como ela é distribuída sobre as áreas com formatos e profundidades diferentes. “O equipamento dispõe de cartuchos destinados a diferentes planos de aplicação, incluindo profundidades de 2 mm, 3 mm e 4,5 mm, além da diversidade de curvaturas”.
A característica chamou a atenção da médica depois de um período de testes pessoais com outras tecnologias. “Testei diversas marcas ao longo de um ano e percebi melhores resultados quando temos mais tipos de ponteiras e a opção de ponteiras curvas. A curvatura torna o tratamento mais preciso em regiões como mandíbula, papada, pescoço, testa e até mesmo na região das pálpebras”, afirma Anne.
Para quem o tratamento é indicado
Segundo a médica, entre as principais indicações estão pacientes com flacidez leve a moderada, perda de definição do contorno facial e presença de papada e flacidez do pescoço. “A resposta varia de acordo com cada paciente. Idade, espessura da pele, grau de flacidez, região tratada e capacidade individual de formação de colágeno interferem no resultado”.
Apesar das variações, Anne afirma que os resultados costumam ser visíveis com uma sessão. “Na maioria dos protocolos de ultrassom microfocado, uma sessão bem indicada já pode proporcionar melhora, e a necessidade de novas sessões deve ser individualizada conforme grau de flacidez, idade, área tratada e resposta clínica”.
Cuidado isolado não resolve envelhecimento
A tecnologia amplia as possibilidades do tratamento, mas não elimina um ponto central: a indicação adequada. “Ultrassom microfocado não substitui procedimentos cirúrgicos quando há flacidez importante, por exemplo, e também não deve ser entendido como uma solução padronizada para qualquer sinal de envelhecimento. É uma ferramenta, e o resultado depende da escolha adequada para o paciente, da região tratada, da profundidade e dos parâmetros utilizados. É essa combinação que permite construir um tratamento mais individualizado.”
Os valores também variam de acordo com a extensão da área tratada, o protocolo indicado e o número de disparos. “Os protocolos com a tecnologia podem variar de R$ 600 a R$ 4 mil por sessão, conforme o planejamento realizado para cada paciente”.
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Mais do que buscar uma mudança imediata, a lógica dessas tecnologias é acompanhar um processo que já pertence ao próprio organismo. “A ideia é provocar a renovação de estruturas responsáveis pela sustentação da pele com estímulos cada vez mais direcionados”.
