Castração de cães e gatos: benefícios vão além do controle reprodutivo
Procedimento que elimina a possibilidade de gestação pode contribuir para a qualidade de vida do animal de estimação; veterinária lista os benefícios
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Mais do que uma forma de controle populacional, a castração é considerada uma das ferramentas da medicina preventiva. Segundo Natália de Castro Alves, professora de medicina veterinária da Estácio BH, o procedimento pode contribuir para a prevenção de determinadas doenças aumentando a expectativa de vida.
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Mas é importante fazer uma distinção: isoladamente, a castração não garante a longevidade do pet. “A expectativa e a qualidade de vida são determinadas por um conjunto de fatores, entre eles, genética, alimentação, condição corporal, atividade física, ambiente, prevenção de doenças, vacinação, controle de parasitas e acompanhamento veterinário periódico”, esclarece.
Por isso, o objetivo da cirurgia é aumentar a qualidade de vida e o bem-estar e a decisão deve ser baseada em uma avaliação individual, como informa Natália. “Devem ser observados fatores como espécie, sexo, raça, porte, idade, condição corporal, histórico clínico, ambiente e estilo de vida, assim como os possíveis benefícios e riscos – estes podem ser mitigados por meio de exames pré-cirúrgicos e cuidados no pós-operatório”, ilustra.
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Existe idade ideal?
Segundo a médica veterinária, embora não exista uma idade universal para castrar o animal, a maioria dos cães e gatos passam pela intervenção ainda jovens, antes ou após a puberdade, principalmente pelo benefício do controle reprodutivo e pela possibilidade de reduzir o risco de determinadas neoplasias mamárias nas fêmeas.
“Entretanto, em cachorros, especialmente os de grande porte e determinadas raças, a decisão sobre o momento da castração deve ser ainda mais individualizada, conciliando os benefícios com os possíveis efeitos da retirada hormonal em cada paciente. Há que se considerar o desenvolvimento musculoesquelético, o peso corporal, o risco de determinadas doenças e o estilo de vida”, enfatiza.
Nas fêmeas, a ovariohisterectomia, que consiste na remoção dos ovários e do útero, elimina o risco de afecções uterinas, como a piometra. “A piometra é uma enfermidade uterina grave, associada à influência hormonal do ciclo reprodutivo e à infecção bacteriana, que pode evoluir para quadros sistêmicos, incluindo sepse, com risco de morte. A técnica também interrompe a atividade ovariana e, consequentemente, os ciclos estrais e as oscilações hormonais relacionadas à reprodução”, afirma a médica.
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A veterinária acrescenta que a castração, quando realizada em determinadas fases da vida, pode reduzir de maneira significativa o risco de desenvolvimento de neoplasias mamárias. “Esse benefício está relacionado principalmente ao momento em que o procedimento é realizado”.
Nos machos, a orquiectomia, ou remoção dos testículos, reduz o risco de desenvolvimento de neoplasias testiculares e da produção de testosterona de maneira significativa. “A redução hormonal contribui para a prevenção e o controle da hiperplasia prostática benigna, uma alteração muito frequente em machos não castrados e diretamente relacionada à exposição contínua aos andrógenos”, elucida.
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A redução dos hormônios sexuais também pode influenciar determinados comportamentos. “Em alguns animais, pode ocorrer queda da procura por fêmeas, de fugas, da marcação territorial com urina e de algumas manifestações de comportamento sexual. Ressalto, porém, que a resposta comportamental é individual e a castração não substitui educação, treinamento, manejo adequado ou avaliação comportamental quando necessária”, alerta a especialista.