Um medicamento experimental, a retatrutide, alcançou resultados recordes de perda de peso em um estudo com pessoas com obesidade e diabetes tipo 2. A droga, desenvolvida pela farmacêutica Eli Lilly, demonstrou a capacidade de reduzir o peso corporal em até um quarto, além de melhorar os níveis de açúcar no sangue e marcadores de inflamação.
O medicamento ainda não foi aprovado por nenhuma agência reguladora, mas os testes indicam um potencial para revolucionar os tratamentos existentes.
Os testes positivos do medicamento já deixaram o público animado. O termo “retatrutide” é um dos mais buscados no Google Brasil nesta quarta-feira (30/9). Segundo o Google Trends, houve um aumento de mais de mil por cento nas buscas nas últimas 12 horas.
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Como a retatrutide funciona
A retatrutide atua imitando três hormônios intestinais que controlam o apetite, o açúcar no sangue e o metabolismo: GLP-1, GIP e glucagon. Sua ação tripla o diferencia de outros medicamentos conhecidos, como o Wegovy, que foca principalmente na via do GLP-1 para suprimir o apetite.
Diferente também do Mounjaro, que combina GLP-1 e GIP, a retatrutide ativa o receptor de glucagon, o que contribui para aumentar o gasto de energia do corpo. O medicamento é administrado por meio de uma injeção semanal.
Resultados do estudo clínico
Em um estudo de fase 3 com duração de 80 semanas, participantes com diabetes tipo 2 e obesidade que receberam a dose mais alta da droga perderam, em média, 20,8% de seu peso corporal. Isso representou uma média de 22,5 quilos para um peso inicial médio de 106 quilos.
Para aqueles com um Índice de Massa Corporal (IMC) inicial de 35 ou superior, a perda média de peso atingiu 23,4%, ou 27,6 quilos. Ao final do estudo, 59,5% dos participantes que usaram a dose mais alta não atendiam mais aos critérios de obesidade baseados no IMC.
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O controle do açúcar no sangue também apresentou melhoras significativas. Até 40% dos participantes alcançaram um nível de hemoglobina glicada (A1C) abaixo de 5,7%, valor considerado normal.
Os efeitos adversos mais relatados foram gastrointestinais, como diarreia, náuseas, constipação e vômitos, classificados como de intensidade leve a moderada. A taxa de descontinuação por eventos adversos foi de 7,7% no grupo de dose mais alta, contra 4,9% no grupo placebo. Sete mortes ocorreram durante o ensaio, mas foram consideradas não relacionadas ao medicamento.
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A Eli Lilly planeja submeter o pedido de aprovação da retatrutide à agência reguladora dos EUA (FDA) no primeiro trimestre de 2027. A empresa também iniciou processos judiciais contra companhias acusadas de vender versões não autorizadas do medicamento.
