Creatina antes ou depois do treino, whey protein no shake, vitaminas e outros suplementos já fazem parte da rotina de muitas pessoas. Mas será que o consumo frequente desses produtos pode prejudicar os rins?
Segundo Bruno Biluca, nefrologista da Fenix Nefrologia, o uso de suplementos não significa, automaticamente, que haverá danos renais. Porém, a indicação, a dose e as condições de saúde de cada pessoa precisam ser consideradas.
Um alerta publicado pela National Kidney Foundation (NKF) em julho de 2026 reforça a necessidade de atenção principalmente entre pessoas que já têm doença renal, fazem diálise ou passaram por transplante. Alguns suplementos podem conter substâncias eliminadas pelos rins ou componentes que interagem com medicamentos.
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“O fato de um suplemento ser vendido livremente ou ser apresentado como natural não significa que ele seja indicado para todas as pessoas. Quando a função dos rins está comprometida, algumas substâncias podem se acumular e trazer riscos”, explica Bruno.
Creatina pode alterar exame?
A creatina é um dos suplementos mais utilizados por quem pratica atividade física e também um dos que mais geram dúvidas sobre os rins. Uma revisão sistemática e meta-análise publicada em abril de 2026, que avaliou 20 estudos clínicos randomizados, encontrou aumento médio de 0,13 mg/dL na creatinina no sangue entre os participantes que utilizaram creatina.
Apesar disso, os pesquisadores não identificaram alterações significativas na taxa de filtração glomerular, um dos principais indicadores da função renal. “A creatina pode aumentar a creatinina no sangue sem necessariamente significar que os rins perderam função. Por isso, o resultado do exame precisa ser interpretado dentro do contexto de cada paciente”, explica o nefrologista.
Isso não significa que a suplementação seja indicada para todos. Pessoas com doença renal, alterações na função dos rins ou outros fatores de risco devem buscar orientação profissional antes de iniciar o uso.
Whey protein
O whey protein é outra opção bastante utilizada por quem treina. Para pessoas saudáveis, o consumo adequado de proteínas não significa, por si só, prejuízo aos rins. O cuidado está principalmente no excesso e na falta de avaliação individual.
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“Antes de aumentar significativamente o consumo de proteínas ou combinar diferentes suplementos, é importante avaliar a alimentação e as condições de saúde da pessoa”, orienta o especialista.
Combinação de vários suplementos
Outro ponto de atenção é o uso simultâneo de diferentes produtos. É comum combinar creatina, whey protein, pré-treino, multivitamínicos, vitaminas e suplementos à base de plantas. E algumas substâncias podem estar presentes em mais de um produto, levando ao consumo de quantidades maiores do que o necessário sem que a pessoa perceba.
“Quando vários suplementos são utilizados ao mesmo tempo, é importante avaliar a composição de cada produto para evitar a ingestão excessiva de determinadas substâncias. Por isso, o profissional de saúde deve saber tudo o que o paciente está consumindo”, explica Bruno.
Produtos naturais não são isentos de riscos
Multivitamínicos, vitaminas isoladas, minerais e suplementos à base de plantas também fazem parte da rotina de muitas pessoas. Porém, mais não significa necessariamente melhor.
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Segundo a NKF, pessoas com doença renal podem ter mais dificuldade para eliminar determinadas substâncias. O excesso de vitamina C, por exemplo, pode aumentar o risco de alguns tipos de cálculo renal. Vitamina D, cálcio e outros minerais também podem exigir atenção dependendo da condição de saúde.
“O que é adequado para uma pessoa pode não ser indicado para outra, principalmente quando existe alguma doença renal ou alteração nos exames”, afirma o nefrologista.
Quem deve ter mais cuidado?
O acompanhamento profissional é especialmente importante para quem tem doença renal, histórico de cálculo renal, alterações em exames, hipertensão, diabetes, usa medicamentos continuamente ou consome doses elevadas de suplementos.
“Suplementação não deve ser encarada como algo universal. O que funciona para uma pessoa pode não ser adequado para outra. A avaliação individual é fundamental para evitar o uso desnecessário ou inadequado desses produtos”, destaca o especialista.
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