Quando se fala em acompanhamento urológico, a próstata costuma ser o primeiro assunto que vem à mente. Mas a saúde do homem envolve uma série de questões que começam muito antes da idade em que o câncer de próstata passa a ser discutido com mais atenção. Desenvolvimento dos órgãos genitais, fertilidade, saúde sexual, função renal e sintomas urinários fazem parte de um acompanhamento que muda de acordo com a fase da vida.

Segundo o urologista e andrologista Pedro Bastos, de Juiz de Fora, certos pontos devem entrar no radar dos homens desde a adolescência, e a investigação deve ser adaptada conforme a idade, o histórico familiar e os fatores de risco.

“Na adolescência, por exemplo, a consulta pode identificar alterações que não devem ser ignoradas, como fimose, varicocele, dor, nódulos ou assimetrias testiculares. A avaliação também observa o desenvolvimento puberal, a posição e o volume dos testículos”, explica.

“É, ainda, uma oportunidade para abordar prevenção de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), uso de preservativo e vacinação contra HPV e hepatite B. A avaliação deve considerar idade, sintomas, hábitos, vida sexual, histórico familiar e fatores de risco”, acrescenta.

Já na faixa dos 20 e 30 anos, o acompanhamento passa a incorporar questões relacionadas à saúde sexual e reprodutiva, planejamento familiar e possíveis sintomas urinários. Pressão arterial, peso, circunferência abdominal, glicemia e perfil lipídico também podem ser avaliados conforme os fatores de risco.

“É nessa fase que a investigação da fertilidade pode ganhar espaço quando existe uma necessidade específica. O espermograma não é um exame de rotina para todos, mas pode ser indicado quando há dificuldade para engravidar ou fatores de risco para infertilidade”, afirma o urologista.

Bastos ressalta que a chegada aos 40 anos representa outro momento importante. Para o especialista, é uma fase em que a prevenção pode se tornar mais estruturada, reunindo a avaliação cardiovascular e metabólica com questões propriamente urológicas, como função sexual, fertilidade, sintomas urinários e risco individual para doenças da próstata.

Dependendo do histórico clínico, exames como glicemia, colesterol, função renal e exame de urina podem ser indicados, especialmente quando há hipertensão, diabetes, obesidade, cálculos renais ou uso contínuo de determinados medicamentos. “Uma primeira avaliação urológica preventiva por volta dos 40 anos pode ser bastante útil para estabelecer um histórico de saúde, identificar fatores de risco e planejar o acompanhamento das décadas seguintes”.

Aos 50, entra uma nova etapa

É por volta dos 50 anos que a investigação do câncer de próstata passa a ganhar maior espaço na consulta. A decisão deve ser compartilhada e pode envolver PSA (Antígeno Prostático Específico) e exame físico, incluindo o toque retal quando indicado.

Para homens negros, essa conversa deve começar mais cedo, habitualmente aos 45 anos. Um exemplo é um estudo publicado no periódico JAMA Network, que acompanhou homens com câncer de próstata de baixo risco e identificou uma taxa de progressão da doença 11% maior entre pacientes negros, em comparação com homens brancos.

Além disso, homens com pai ou irmão diagnosticados com câncer de próstata também devem ficar atentos a partir dos 45 anos. No caso do histórico familiar, porém, não deve se resumir à pergunta sobre ter ou não algum parente com câncer de próstata. Segundo o médico, detalhes como o grau de parentesco, a idade em que a doença foi diagnosticada e a existência de outros tumores na família podem mudar a avaliação do risco.

“Quando existem vários familiares afetados, diagnóstico em idade jovem ou casos associados de câncer de mama, ovário, pâncreas ou próstata agressivo na família, pode haver indicação de iniciar ainda mais cedo e considerar aconselhamento genético”, destaca.

A função renal é outro ponto que pode ganhar importância com o passar dos anos. Creatinina, estimativa da função renal, exame de urina e ultrassonografia podem ser indicados de acordo com os riscos individuais. Hipertensão e diabetes merecem atenção especial porque podem comprometer silenciosamente a função renal.

Nem todo sintoma pode esperar

Mais do que decorar uma lista de exames, o homem precisa saber reconhecer quando alguma alteração merece avaliação. Sangue visível na urina, dificuldade progressiva para urinar, jato urinário muito fraco, retenção urinária, dor lombar intensa, infecções urinárias recorrentes, perda involuntária de urina e nódulos nos testículos ou no pênis estão entre os sinais que devem ser investigados.

“A atenção também vale para a saúde sexual: disfunção erétil persistente, queda importante da libido, infertilidade, sangue recorrente no sêmen, curvatura adquirida do pênis, feridas ou verrugas genitais e dor durante a relação sexual ou ejaculação precisam de atenção.”

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Para o especialista , o principal ponto é entender que o acompanhamento urológico acompanha as diferentes fases da vida masculina e não se resume à prevenção do câncer de próstata. “A consulta urológica não se resume ao exame da próstata. Homens com alterações genitais, urinárias, sexuais ou reprodutivas não devem esperar chegar aos 40 ou 50 anos para procurar um urologista. Quanto mais cedo a causa é identificada, maiores costumam ser as possibilidades de tratamento e de preservação da qualidade de vida”, conclui.

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