HOMENS JOVENS

Câncer de próstata não é assunto só para depois dos 50 anos: entenda

Histórico familiar, predisposição genética e outros fatores de risco podem exigir uma avaliação individualizada antes da idade em que a doença é mais frequente

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O câncer de próstata é tradicionalmente associado ao envelhecimento, mas isso não significa que homens mais jovens devam ignorar a saúde da próstata. Embora a doença seja muito mais frequente a partir das faixas etárias mais avançadas, existem situações em que a investigação médica pode precisar começar mais cedo, especialmente diante de histórico familiar ou outros fatores de risco.

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Dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca) mostram que a idade é o principal fator de risco para o câncer de próstata. No entanto, homens que têm pai ou irmão diagnosticado com a doença antes dos 60 anos apresentam risco aumentado. A obesidade também está associada a maior risco de tumores de próstata avançados, de alto grau e fatais.

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Para o uro-oncologista Guilherme Canabrava, um dos principais desafios é evitar tanto a falsa sensação de segurança entre homens jovens quanto a realização indiscriminada de exames sem indicação médica.

“É importante quebrar a ideia de que o câncer de próstata é um problema exclusivamente da terceira idade. A idade continua sendo o principal fator de risco, mas um homem mais jovem com histórico familiar importante, por exemplo, não deve simplesmente esperar chegar aos 50 ou 60 anos para conversar sobre o assunto. A avaliação precisa ser individualizada, levando em consideração o histórico do paciente e da família”, explica.

A recomendação, segundo o especialista, não significa que todo homem jovem precise realizar exames de rastreamento. O Ministério da Saúde e o Inca não recomendam o rastreamento populacional do câncer de próstata em homens assintomáticos, devido à relação entre possíveis benefícios e riscos dos exames e procedimentos envolvidos. A decisão sobre investigação deve ser discutida individualmente entre médico e paciente.

O histórico familiar merece atenção especial. Ter parentes próximos que desenvolveram câncer de próstata em idade mais jovem pode sinalizar uma predisposição que deve ser considerada na avaliação médica. Em alguns casos, a investigação também pode levar à discussão sobre fatores genéticos e à necessidade de acompanhamento diferenciado.

“Quando existe uma história familiar relevante, precisamos olhar para aquele paciente de maneira diferente. Não significa que ele necessariamente terá câncer, mas significa que temos uma informação que não pode ser ignorada. O objetivo é identificar quem realmente pode se beneficiar de uma avaliação mais precoce e evitar tanto o diagnóstico tardio quanto exames desnecessários”, afirma Guilherme.

Outro ponto que merece atenção é o estilo de vida. Embora diversos fatores relacionados à alimentação, metabolismo e hábitos cotidianos ainda estejam sendo estudados e nem todos tenham evidências conclusivas, o excesso de peso e a obesidade já aparecem associados a formas mais agressivas da doença.

Além dos fatores de risco, o especialista chama atenção para os sintomas. Alterações urinárias, sangue na urina ou no sêmen, dor óssea e outros sinais não devem ser automaticamente atribuídos ao envelhecimento ou a problemas benignos da próstata. O câncer de próstata em estágio inicial, entretanto, frequentemente não apresenta sintomas, o que reforça a importância de uma avaliação médica adequada quando há fatores de risco ou alterações clínicas.

“Um dos maiores erros é pensar que, por ser jovem, o homem está automaticamente protegido contra problemas na próstata. O outro extremo também é um problema: acreditar que qualquer alteração ou aumento do PSA significa câncer”, comenta o médico.

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“A medicina hoje permite uma avaliação muito mais individualizada. O papel do especialista é justamente interpretar o conjunto de informações e definir quando investigar, quais exames são necessários e qual é o melhor momento para cada paciente”, complementa.

A discussão sobre homens mais jovens também ajuda a ampliar o conceito de prevenção. Em vez de associar a saúde da próstata exclusivamente a uma determinada idade, especialistas defendem uma abordagem baseada em fatores de risco, histórico clínico e familiar e decisão compartilhada.

No Brasil, o câncer de próstata permanece como um dos principais problemas oncológicos entre os homens. Segundo o Inca, são estimados 77.920 casos anuais até 2028. A maior parte dos casos ocorre em homens mais velhos, mas a existência de fatores de risco específicos reforça a importância de não adotar uma regra única para todos os pacientes.

Para o especialista, mais importante do que estabelecer uma idade fixa para todos os homens é estimular uma relação mais consciente com a própria saúde. “Cuidar da próstata não deve começar apenas quando aparece um sintoma ou quando o homem atinge determinada idade. Para alguns pacientes, especialmente aqueles com fatores de risco, a conversa com o urologista pode começar antes.”

“Informação e avaliação individualizada são muito mais importantes do que seguir uma regra genérica”, destaca.

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