Nutricionista lança livro sobre anorexia na vida adulta nesta segunda-feira
Autora relata sua experiência de desenvolvimento e superação do transtorno e aponta desafios envolvendo diagnóstico e tratamento da doença na era das redes sociais
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A anorexia nervosa está mudando de perfil. Embora historicamente associada sobretudo a adolescentes e jovens, o transtorno alimentar vem sendo observado também em adultos e pode permanecer por mais tempo na vida do paciente, tornando o tratamento mais complexo. No consultório da nutricionista Sara Singer, esse novo cenário tem aparecido com frequência cada vez maior.
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“O menor de idade é levado pelo responsável para o tratamento. Já a pessoa adulta tem que ir por vontade própria. Então é muito mais desafiador. O acesso a mídias de todo tipo e às redes sociais leva as pessoas a se compararem o tempo todo. Fica muito evidente essa mudança de panorama do paciente anoréxico”, afirma.
Para a especialista, a mudança também está relacionada à forma como as pessoas se relacionam com o próprio corpo em um ambiente marcado pela exposição constante nas redes sociais.
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Esse é um dos temas que estarão em discussão no lançamento de "Escolhi Viver! – virei a mesa contra a anorexia. Hoje, comer me faz muito bem" pela editora Autobiografia, da nutricionista Sara Singer. O evento ocorre nesta segunda-feira (28/9), às 18h, na Livraria da Travessa do Shopping Iguatemi, em São Paulo, e terá uma conversa entre a autora e a jornalista Grace Stelmach Rubinstein, apresentadora do podcast Pod Pratear, que aborda os desafios da maturidade.
A partir da experiência profissional e da própria trajetória, Sara pretende discutir como a anorexia se manifesta hoje, por que pode ser mais difícil tratar o transtorno na vida adulta e quais sinais merecem atenção. A conversa também poderá abordar a influência das redes sociais, a pressão estética e a transformação do comportamento alimentar ao longo do século XXI.
Uma história vivida dos dois lados
Aos 13 anos, Sara começou uma dieta para chegar magra à festa de 15 anos. O que parecia uma preocupação comum com o corpo evoluiu para anorexia e para uma relação obsessiva com comida, peso e controle. Vieram a contagem de calorias, as restrições, o medo de engordar e regras cada vez mais rígidas em torno da alimentação. Pouco antes da festa, uma tia percebeu que havia algo errado. Sara estava extremamente magra, sem energia e, segundo a familiar, havia perdido a alegria de viver. A intervenção da família marcou o início de um longo processo de tratamento.
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Ao revisitar essa história, hoje como nutricionista especializada em transtornos alimentares, Sara procura entender o que havia por trás da necessidade de controlar o próprio corpo. Ela relaciona o transtorno a características como perfeccionismo, autocrítica e necessidade de controle, além das cobranças que carregava desde criança. Como filha única mulher, conta ter sentido também uma forte pressão estética para ser magra, bonita e estar sempre bem. Na escola, exigia muito de si academicamente.
Outro episódio ganhou novo significado quando Sara adulta revisitou sua trajetória: aos 12 anos, ela e familiares foram feitos reféns durante um assalto à casa. O livro insere esse trauma no contexto emocional que antecedeu o desenvolvimento da anorexia.
A história não é apenas sobre comida ou peso. É sobre como conflitos emocionais podem encontrar no corpo e na alimentação uma forma de expressão e de prisão.Quando a comida deixa de ser o inimigo. A recuperação levou anos e exigiu acompanhamento profissional. Durante o processo, Sara começou a compreender que sua relação com a comida estava ligada também à maneira como lidava com sentimentos.
A virada veio quando percebeu que aquilo que durante anos havia considerado seu maior inimigo poderia fazer parte de sua reconstrução. Ela estudou nutrição, especializou-se em transtornos alimentares e outras áreas relacionadas à saúde e passou a trabalhar ajudando outras pessoas a reconstruírem uma relação mais saudável com a alimentação. “Minha salvação estava justamente naquilo que um dia eu julguei ser meu maior inimigo — a comida”, relata Sara.
É essa transformação, de paciente a profissional que atua na área que um dia precisou conhecer como paciente, que é explorada na obra, que reúne memórias, informações e depoimentos de pacientes e familiares para discutir os transtornos alimentares a partir de uma perspectiva que vai além do peso na balança. Uma conversa sobre anorexia no século XXI.
O lançamento também propõe uma discussão que ultrapassa a história pessoal da autora: o que mudou na relação das pessoas com o corpo e a alimentação nas últimas décadas? Entre os temas que podem entrar na conversa estão a mudança da faixa etária dos pacientes, os desafios do tratamento na vida adulta, a influência das redes sociais, a comparação permanente com padrões de corpo e comportamento e os sinais que podem indicar que uma preocupação com alimentação deixou de ser apenas uma escolha.
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A partir de sua experiência de consultório e da própria história, Sara também discute por que identificar o transtorno precocemente continua sendo fundamental e por que familiares e amigos têm papel importante na busca por ajuda. “Vivi uma história de doença e sofrimento, mas também (e principalmente) de superação e de autoconhecimento. Eu venci e ainda estou vencendo todos os impulsos que me levavam para a autodestruição”, escreve a autora.
“Meu desejo maior é que minha história possa inspirar cada um de vocês a trabalhar seus lados mais obscuros e difíceis e, assim, viver de forma plena e consciente os momentos que realmente importam. E que consigam fazer isso se alimentando muito, mas muito bem mesmo, de uma forma ao mesmo tempo saudável e prazerosa”, acrescenta.
Serviço
Lançamento de "Escolhi Viver! – virei a mesa contra a anorexia. Hoje, comer me faz muito bem"
Data: 28 de setembro
Horário: 18h
Local: Livraria da Travessa, Shopping Iguatemi – Av. Brg. Faria Lima, 2232, Bairro Jardim Paulistano, São Paulo
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