Obesidade infantil: até onde vai a responsabilidade dos pais?
Com avanço do excesso de peso entre jovens, proposta quer responsabilizar famílias em casos graves e de omissão; entenda o debate político
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A discussão sobre a responsabilidade dos pais diante da obesidade dos filhos ganha força com o avanço do excesso de peso entre crianças e adolescentes. O debate alcançou a esfera política com propostas que miram o papel da família em casos graves.
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Estimativas do Atlas Mundial da Obesidade 2026 indicam que cerca de 16,6 milhões de crianças e adolescentes brasileiros entre 5 e 19 anos viviam com sobrepeso ou obesidade em 2025. Desse total, 6,6 milhões têm entre 5 e 9 anos, e 9,9 milhões, entre 10 e 19 anos.
O levantamento também projeta 1,4 milhão de casos de hipertensão e 4 milhões de casos de doença hepática metabólica associados ao IMC elevado nessa faixa etária. Os números levantam a questão sobre os limites da responsabilidade de quem cuida de uma criança com a saúde em risco.
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A obesidade é uma condição multifatorial, com influências biológicas, sociais, ambientais e comportamentais. O Ministério da Saúde orienta que o cuidado com crianças e adolescentes considere as diferentes causas sem culpabilizar ou estigmatizar a pessoa ou a família.
Contudo, a rotina infantil, dos alimentos disponíveis à busca por acompanhamento médico, depende em grande parte dos adultos.
Proposta de responsabilização
O bicampeão do Mister Universo Sérgio Fialho, 40, candidato a deputado federal pelo Paraná, defende que pais ou responsáveis possam ser responsabilizados. A medida seria aplicada quando, diante de risco comprovado, orientação profissional e acesso a tratamento, as recomendações médicas fossem repetidamente ignoradas.
Fialho, que pretende apresentar a proposta caso seja eleito no pleito de 4 de outubro, condiciona a responsabilização à garantia de acesso ao cuidado pelo poder público. “Criança não escolhe sozinha o que compra, o que come nem o estilo de vida que tem dentro de casa”, afirma.
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Ele explica que, antes de qualquer coisa, o Estado precisa oferecer acompanhamento médico, nutricional e psicológico. “Mas, se existe risco comprovado, o tratamento está disponível e os responsáveis escolhem ignorar repetidamente as orientações, acredito que o Estado precisa intervir”, declara.
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Segundo o candidato, a proposta não visa famílias apenas por uma criança viver com obesidade, mas sim situações graves com omissão recorrente dos responsáveis. “Obesidade infantil não pode virar motivo para apontar o dedo para uma família. O que eu quero discutir é outra situação: quando uma criança precisa de cuidado, existe orientação e quem responde por ela escolhe não agir”, finaliza.