Pais mudam hábitos de tela das crianças para proteger saúde mental e privacidade
Especialistas orientam sobre alternativas saudáveis de convivência sem o smartphone pessoal e como estabelecer regras equilibradas dentro do lar
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Um número crescente de pais está reavaliando e alterando os hábitos de uso de telas de seus filhos, motivados por preocupações com a saúde mental e a privacidade das crianças. O movimento ganha força e se reflete em dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua 2025, divulgada pelo IBGE em julho deste ano, que apontam uma redução inédita na posse de celulares por crianças e pré-adolescentes — um sinal claro de uma nova abordagem familiar sobre a tecnologia.
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Essa mudança de comportamento responde diretamente aos alertas sobre os impactos do tempo excessivo de tela, que incluem desde dificuldades de socialização até o aumento de quadros de ansiedade e depressão. A exposição a conteúdos inadequados e os riscos relacionados à segurança de dados pessoais também estão no centro do debate.
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Por que os pais estão limitando o uso de celular?
A principal razão é a crescente conscientização sobre os efeitos negativos do uso indiscriminado de dispositivos móveis na infância e adolescência. Segundo o levantamento, 32% dos responsáveis citaram a preocupação com privacidade e segurança como principal motivo para não dar celular aos filhos, um aumento de 7,8 pontos percentuais em relação a 2024. Os pais buscam proteger a saúde mental, evitar a exposição a conteúdos impróprios e resguardar a privacidade da família em um ambiente digital cada vez mais complexo.
A discussão sobre o tema se intensificou após a divulgação da Pnad Contínua, que mostrou a primeira queda no número de crianças de 10 a 13 anos com celular próprio desde o início da série histórica, em 2016. O percentual caiu de 56,7% em 2024 para 55,2% em 2025, uma redução de 1,5 ponto percentual. A mudança pode ter sido influenciada também pela legislação que entrou em vigor em 2025, restringindo o uso de aparelhos em escolas.
Como estabelecer regras para o uso de telas em casa?
Criar uma rotina digital equilibrada é fundamental. A chave está em combinar diálogo com ações práticas que possam ser compreendidas e seguidas por toda a família. Especialistas em desenvolvimento infantil sugerem um conjunto de medidas para guiar esse processo de forma eficaz.
Algumas estratégias eficientes incluem:
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Definir horários e locais específicos: estabelecer regras claras, como proibir o uso de celulares durante as refeições ou no quarto antes de dormir, ajuda a criar "zonas livres de telas".
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Utilizar ferramentas de controle parental: aplicativos e configurações nativas dos sistemas operacionais permitem monitorar o tempo de uso e filtrar o tipo de conteúdo acessado pelas crianças.
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Dialogar abertamente sobre os riscos: conversar sobre temas como cyberbullying, a importância de não compartilhar informações pessoais e como identificar conteúdos perigosos é essencial.
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Ser o exemplo: os pais precisam demonstrar hábitos saudáveis de uso da tecnologia, pois as crianças aprendem observando o comportamento dos adultos.
Quais são as alternativas saudáveis ao uso do celular?
Substituir o tempo de tela por atividades que estimulem a criatividade, o raciocínio e a interação social é o caminho mais recomendado. O objetivo não é proibir a tecnologia, mas integrá-la a uma rotina rica e diversificada, onde o mundo digital não seja a única fonte de entretenimento e aprendizado.
Incentivar outras formas de lazer fortalece os laços familiares e contribui para o desenvolvimento cognitivo e emocional. Entre as principais sugestões estão:
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Promover atividades ao ar livre: passeios em parques, prática de esportes e brincadeiras no quintal estimulam o desenvolvimento motor e reduzem o estresse.
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Incentivar a leitura: oferecer livros, histórias em quadrinhos e revistas adequadas para cada faixa etária é uma forma poderosa de estimular a imaginação.
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Estimular jogos de tabuleiro e de montar: essas atividades desenvolvem o raciocínio lógico, a estratégia e a capacidade de socialização.
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Envolver a criança em tarefas domésticas: atividades como cozinhar em família ou cuidar de um pequeno jardim podem ser divertidas e educativas.