Síndrome dos ovários policísticos: desequilíbrio pode afetar todo organismo
Esta é uma doença crônica, com repercussões hormonais, metabólicas e emocionais
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A síndrome dos ovários policísticos (SOP) costuma ser associada apenas a alterações nos ovários, mas seus efeitos vão muito além do sistema reprodutivo. Considerada uma das alterações hormonais mais comuns entre mulheres em idade fértil, mundialmente a condição afeta cerca de 10% a 13% desta população e pode permanecer sem diagnóstico por anos. Trata-se de uma doença crônica, com repercussões hormonais, metabólicas e emocionais.
Para a cientista Izabelle Gindri, especialista em saúde hormonal, a SOP está relacionada, principalmente, ao aumento dos níveis de andrógenos, hormônios que, embora também estejam presentes normalmente no organismo feminino, podem aparecer em concentrações elevadas na síndrome e a alterações na ovulação.
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"Na prática, os sinais podem variar bastante. Menstruações irregulares, períodos muito espaçados ou ausência de sangramento são manifestações frequentes. Também podem surgir acne persistente, pele oleosa, aumento de pelos no rosto e no corpo e queda ou afinamento dos cabelos", explica Gindri, PhD em Engenharia Biomédica pela UTD (University of Texas, Dallas), farmacêutica, cofundadora e CEO da bio meds Brasil.
Em mulheres adultas, a avaliação costuma considerar a presença de ao menos dois de três elementos, sinais ou exames que indiquem excesso de andrógenos, irregularidade ou ausência de ovulação e aparência policística dos ovários, depois de excluídas outras causas que possam produzir sintomas semelhantes. Por isso, a investigação deve ser individualizada e não pode se basear apenas em uma ultrassonografia.
Resistência à insulina é peça importante
Um dos aspectos que ajudam a explicar por que a SOP afeta todo o organismo é sua relação com a resistência à insulina. Nesta situação, as células respondem menos adequadamente ao hormônio responsável por facilitar a entrada da glicose nos tecidos. O organismo pode compensar produzindo mais insulina, o que está associado a maior risco de pré-diabetes e diabetes tipo 2.
"A resistência à insulina pode ocorrer mesmo quando a pessoa não apresenta excesso de peso. Por outro lado, o ganho de peso, especialmente na região abdominal, pode aumentar o risco de complicações metabólicas. Mulheres com SOP também apresentam maior probabilidade de alterações de colesterol, pressão alta, doença cardiovascular e apneia do sono. A avaliação clínica deve, portanto, incluir o acompanhamento do risco metabólico, e não apenas dos sintomas ginecológicos”, reforça Izabelle Gindri.
Menstruação irregular e impacto na fertilidade
A irregularidade menstrual é uma das manifestações mais visíveis da SOP. Como a ovulação pode acontecer de forma infrequente ou não ocorrer em determinados ciclos, a menstruação pode ficar imprevisível. Em algumas mulheres, os intervalos entre os sangramentos são longos, em outras, pode haver sangramento intenso ou prolongado.
Essa ovulação irregular também ajuda a explicar a relação entre SOP e infertilidade. A síndrome é uma das principais causas de infertilidade por falta de ovulação. Isso, porém, não significa que uma mulher com SOP não possa engravidar. Com acompanhamento médico e tratamento adequado, é possível melhorar a ovulação e as chances de gestação.
Tratamento é individualizado
Segundo Izabelle Gindri, não existe uma única receita para controlar a SOP. A estratégia depende dos sintomas, do risco metabólico, da idade e, principalmente, de haver ou não desejo de engravidar.
"Alimentação equilibrada, atividade física regular e outros hábitos de vida saudáveis fazem parte do cuidado de todas as pacientes, independentemente de haver perda de peso", diz.
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Mais do que controlar uma menstruação irregular ou melhorar a aparência da pele, o acompanhamento da SOP busca proteger a saúde no longo prazo. A ausência prolongada de ovulação pode aumentar o risco de alterações no endométrio, enquanto as repercussões metabólicas exigem atenção contínua.