A lipodistrofia é um grupo de doenças raras caracterizadas pela perda total ou parcial do tecido adiposo, responsável por armazenar gordura no organismo. Além das alterações físicas, a condição pode estar associada a complicações metabólicas importantes, como diabetes de difícil controle, alterações hepáticas e dislipidemias, exigindo acompanhamento médico contínuo e diagnóstico precoce para reduzir impactos na saúde.

"Na lipodistrofia, o organismo perde a capacidade de armazenar gordura adequadamente, fazendo com que ela se acumule em órgãos como o fígado e desencadeie complicações metabólicas importantes. Por isso, o diagnóstico precoce é fundamental: ele permite iniciar o tratamento antes que ocorram danos irreversíveis e melhora significativamente o prognóstico e a qualidade de vida dos pacientes", explica o endocrinologista Augusto Cezar Santomauro Junior.

Embora rara e ainda pouco conhecida pela população, a lipodistrofia afeta significativamente a vida das pessoas não apenas pelos desafios clínicos, mas também pelo preconceito decorrente das características físicas da doença. Para contribuir com a conscientização sobre o tema, a paciente Karyn Cerqueira, de 29 anos, compartilha sua história de vida e mostra como informação, acolhimento e acesso ao cuidado podem fazer a diferença.

"Eu nasci diferente e essa foi a primeira coisa que o mundo percebeu sobre mim", conta Karyn Cerqueira, diagnosticada com lipodistrofia congênita generalizada desde o nascimento. Segundo ela, o diagnóstico veio ainda nos primeiros dias de vida, quando o pediatra identificou alterações físicas que levaram à investigação da doença.

O diagnóstico precoce permitiu que Karyn iniciasse o acompanhamento médico ainda na infância, fator que contribuiu para o controle da doença ao longo dos anos. "Graças a isso, consegui acompanhamento médico desde cedo e segui protocolos que me ajudaram a chegar até aqui com qualidade de vida", afirma.

Segundo Augusto Cezar, identificar a doença precocemente também pode reduzir o risco de complicações graves ao longo da vida. "Sem o tratamento adequado, a lipodistrofia pode evoluir para diabetes de difícil controle, doença hepática avançada, hipertrigliceridemia grave e aumentar o risco de complicações cardiovasculares, como aterosclerose precoce, infarto e cardiomiopatias. O acompanhamento especializado é essencial para prevenir esses desfechos", comenta.

Além dos desafios clínicos, pessoas com lipodistrofia frequentemente enfrentam estigma e desconhecimento social. "Foi só quando comecei a conviver com outras pessoas que percebi que havia algo diferente. Os olhares, os comentários e as perguntas foram difíceis", relembra.

Atualmente, a rotina de Karyn envolve acompanhamento contínuo e hábitos saudáveis para controlar as complicações associadas à doença. "Preciso manter uma alimentação controlada e praticar atividade física regularmente. Não é opcional, faz parte do meu cuidado. Fora isso, minha vida é absolutamente comum."

Hoje, além de empreendedora no setor de turismo, Karyn também utiliza as redes sociais para ampliar a conscientização sobre a lipodistrofia. "Uso a internet para compartilhar informação sobre a lipodistrofia, porque sei o quanto o desconhecimento ainda pesa." Ao compartilhar sua história, ela busca ampliar o conhecimento sobre a doença rara, combater o preconceito e incentivar que outras pessoas tenham acesso ao diagnóstico e ao acompanhamento especializado o mais cedo possível.

"O diagnóstico não é uma sentença. Ele não determina até onde você pode ir. A gente tem a doença, mas a gente não é a doença.", enfatiza Karyn.
Além do tratamento medicamentoso, o especialista reforça que o cuidado deve envolver diferentes profissionais. "A lipodistrofia é uma doença multissistêmica e exige acompanhamento multidisciplinar. Endocrinologista, nutricionista, hepatologista, cardiologista e profissionais de saúde mental têm papéis complementares para controlar a doença, prevenir complicações e melhorar a qualidade de vida dos pacientes", destaca o médico.

O especialista também alerta que a descontinuidade do tratamento é especialmente preocupante em doenças raras e de maior gravidade, como a lipodistrofia, nas quais a interrupção dos cuidados pode provocar uma rápida piora do quadro clínico. "A interrupção faz com que a gordura volte a circular em excesso no sangue e se deposite de forma tóxica em órgãos vitais", alerta.

Isso pode provocar um aumento acentuado dos triglicérides, descontrole do diabetes, progressão das lesões hepáticas e uma queda importante na qualidade de vida. A doença pode voltar a evoluir rapidamente e causar danos muitas vezes irreversíveis", acrescenta Augusto Cezar.

Esse cenário reforça a importância de garantir o acesso contínuo ao acompanhamento especializado e às terapias indicadas, especialmente para pacientes com condições raras e de maior complexidade.

Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia

compartilhe