Mesmo sendo um dos principais sinais de alerta para o câncer colorretal, a presença de sangue nas fezes ainda é negligenciada por muitos brasileiros.

Uma pesquisa realizada pelo A.C.Camargo Cancer Center em parceria com a Nexus Pesquisa e Inteligência de Dados revelou que milhares de pessoas preferem aguardar o desaparecimento do sintoma antes de buscar avaliação médica, comportamento que pode comprometer o diagnóstico precoce da doença.

Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), o câncer colorretal deve registrar cerca de 53.810 novos casos por ano no Brasil entre 2026 e 2028, sendo o segundo tipo de câncer mais frequente no país.

Para o cirurgião geral e oncológico Felipe Conde, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO), esse atraso é um dos maiores desafios no enfrentamento da doença. “Ver sangue nas fezes nunca deve ser considerado normal. Embora existam causas benignas, como hemorroidas ou fissuras anais, esse também é um dos principais sinais do câncer colorretal”, explica.

“Apenas uma avaliação médica é capaz de identificar a origem do sangramento e definir o tratamento adequado”, reforça Felipe.

O especialista ressalta que um dos principais problemas é a falsa sensação de segurança quando o sintoma desaparece espontaneamente. “Muitas pessoas deixam de procurar atendimento porque o sangramento ocorre uma única vez ou melhora nos dias seguintes. Isso pode atrasar o diagnóstico em meses. Quando o câncer é identificado nas fases iniciais, as chances de cura são muito maiores e, em muitos casos, o tratamento é menos agressivo.”

Além do sangue nas fezes, o médico destaca outros sintomas que merecem atenção, como alteração persistente do hábito intestinal, dor abdominal, perda de peso sem causa aparente, anemia e sensação de evacuação incompleta.

Ele lembra ainda que a prevenção vai além da investigação dos sintomas. A colonoscopia continua sendo o principal exame para detectar lesões precursoras e tumores precoces, especialmente em pessoas a partir dos 45 anos ou antes, quando há histórico familiar da doença ou outros fatores de risco.

“O câncer colorretal costuma se desenvolver de forma silenciosa. Esperar os sintomas se agravarem pode fazer toda a diferença entre um tratamento simples e uma doença mais avançada. Na dúvida, o mais seguro é procurar um especialista”, afirma.

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