A tontura é um dos sintomas que mais levam pacientes aos consultórios e serviços de emergência. Apesar disso, ainda é comum que qualquer episódio seja associado automaticamente à labirintite.
A realidade, porém, é bem diferente: a tontura pode ser provocada por diversas condições clínicas e, em alguns casos, representar o primeiro sinal de uma doença neurológica grave. Segundo o neurocirurgião Marcio Rassi, o maior erro é tratar a tontura como um diagnóstico, quando, na verdade, ela é apenas um sintoma.
- Mal-estar súbito: 7 possíveis causas que você não deve ignorar
- Síndrome vasovagal é a causa mais comum de desmaio; entenda a condição
“Alterações no labirinto são uma causa frequente de tontura, mas estão longe de ser a única. O sintoma também pode estar relacionado a problemas neurológicos, cardiovasculares, alterações metabólicas, uso de medicamentos e até transtornos de ansiedade. Por isso, identificar a origem é fundamental para indicar o tratamento adequado”, adverte Marcio.
A forma como a tontura se manifesta já oferece pistas importantes. Segundo o especialista, a sensação de que tudo está girando, conhecida como vertigem, costuma estar relacionada ao sistema vestibular. Já a sensação de desmaio iminente, perda do equilíbrio, dificuldade para caminhar ou instabilidade pode indicar outras alterações que exigem investigação médica.
Quando a tontura merece preocupação?
Embora a maioria dos episódios tenha causas benignas, alguns sinais exigem atendimento imediato. “Se a tontura surgir de forma súbita e intensa e vier acompanhada de dificuldade para falar, perda de força ou sensibilidade em um lado do corpo, alteração na visão, dificuldade para caminhar, perda de coordenação, dor de cabeça muito intensa ou perda de consciência, é fundamental procurar um serviço de emergência. Esses sintomas podem indicar um acidente vascular cerebral (AVC) ou outra condição neurológica que precisa de diagnóstico rápido”, alerta Marcio.
Leia Mais
O neurocirurgião ressalta que a atenção também deve ser redobrada quando a tontura passa a ser recorrente. “Episódios que se repetem com frequência, duram vários dias, pioram progressivamente ou começam a limitar as atividades do dia a dia nunca devem ser considerados normais. Quanto mais cedo descobrimos a causa, mais chances de um tratamento eficaz e de evitar complicações”, comenta.
Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia
Para o especialista, a principal mensagem é que a automedicação ou a suposição de que toda tontura é labirintite podem atrasar diagnósticos importantes.
“A tontura é um sintoma que merece ser investigado. Na maioria das vezes, a causa não é grave, mas existem situações em que ela pode ser o primeiro aviso de uma doença séria. O diagnóstico correto é o caminho para um tratamento seguro e eficaz”, destaca o médico.
