Corante proibido em cosméticos asiáticos: brasileiros devem se preocupar?
Substância com potencial genotóxico, Sudan Red foi identificado por autoridades de Hong Kong e Taiwan e reacende o alerta sobre procedência, rastreabilidade e segurança de cosméticos importados comprados pela internet
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Alertas sobre a presença de Sudan Red, corante proibido em cosméticos, em produtos de beleza comercializados na Ásia ganharam as redes sociais nas últimas semanas. A repercussão tem origem em episódios confirmados por autoridades sanitárias.
Em 24 de julho, a alfândega de Hong Kong informou que testes realizados pelo laboratório governamental detectaram Sudan Red em uma amostra de um creme cosmético comercializado localmente que é viral nas redes sociais. Antes, em novembro de 2025, Taiwan já havia identificado Sudan IV em matérias-primas destinadas à fabricação de cosméticos.
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“Sudan Red é o nome utilizado para uma família de corantes sintéticos que inclui compostos como Sudan I, II, III e IV. Não são ingredientes desenvolvidos e autorizados para o uso em cosméticos. Estamos falando de substâncias para as quais existem preocupações toxicológicas documentadas e que, justamente por isso, não deveriam estar presentes em produtos aplicados sobre a pele”, afirma o farmacêutico Maurizio Pupo, pesquisador, professor e diretor científico do IPUPO Pós-Graduações - Instituto Maurizio Pupo de Educação e Pesquisa.
Apesar de não haver alerta da Anvisa relacionando os episódios recentes de Hong Kong e Taiwan a cosméticos comercializados oficialmente no Brasil, o assunto chamou atenção entre internautas brasileiros, principalmente porque, por aqui, os cosméticos asiáticos, especialmente os coreanos, conquistam cada vez mais espaço.
Além da oferta disponível no mercado nacional, esses produtos também podem ser adquiridos diretamente de vendedores estrangeiros pela internet. E a preocupação não se restringe ao fato de se tratar de uma substância não autorizada.
“Estudos experimentais apontam que alguns corantes da família Sudan podem sofrer metabolização no organismo e formar compostos reativos capazes de interagir com estruturas celulares, incluindo o DNA. É justamente esse potencial genotóxico observado experimentalmente que faz com que a presença desses corantes desperte preocupação”, explica Maurizio Pupo.
Além disso, quando o assunto é cosmético, é preciso considerar que muitos são utilizados diariamente e permanecem em contato com a pele por períodos prolongados. “Os efeitos sobre a própria pele também merecem atenção. O Sudan I, por exemplo, já foi relacionado na literatura científica à sensibilização cutânea e à dermatite de contato pigmentada. Assim, pode gerar uma resposta inflamatória em pessoas suscetíveis, principalmente diante da exposição repetida, com surgimento de vermelhidão, coceira e alterações de pigmentação”, afirma o farmacêutico.
Apesar dessas preocupações, é importante tomar cuidado com alarmismos ao citar o Sudan Red como um “corante cancerígeno”. Alguns integrantes do grupo, como Sudan I, III e IV, foram classificados pela Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC) no Grupo 3, categoria que indica que as evidências disponíveis são insuficientes para classificá-los quanto à carcinogenicidade em seres humanos.
Ou seja, não é possível afirmar que uma pessoa desenvolverá câncer por ter utilizado um cosmético que continha Sudan Red. “O que existe é uma preocupação toxicológica baseada principalmente em evidências experimentais, suficiente para justificar que essas substâncias não estejam presentes em produtos cosméticos”, ressalta o especialista.
Para o consumidor brasileiro, os episódios reforçam principalmente a importância de observar a procedência dos produtos adquiridos, sobretudo em compras internacionais realizadas pela internet.
“O problema é que uma contaminação ou adulteração desse tipo não pode ser identificada pelo consumidor simplesmente observando a aparência, a cor ou a textura do cosmético. É necessário controle de qualidade, análise das matérias-primas e rastreabilidade ao longo de toda a cadeia de produção. E quanto menor a rastreabilidade e a identificação do fabricante e da origem, menor é a capacidade do consumidor de verificar se aquele produto passou pelos controles necessários”, explica Maurizio Pupo.
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“Por isso, ao adquirir cosméticos importados, a recomendação é verificar a identificação do fabricante e do responsável pelo produto, sua procedência e a situação de regularização no Brasil. Comprar de vendedores desconhecidos ou canais em que essas informações não estejam disponíveis não é recomendado.”