Segundo o ditado popular, as palavras têm poder. E, de fato, elas são capazes de moldar a realidade, influenciar emoções e transformar a forma como as pessoas enxergam o mundo. Mais do que isso, a linguagem também pode promover inclusão e garantir que diferentes histórias sejam vistas e ouvidas.

A inclusão busca integrar grupos historicamente marginalizados, como pessoas com deficiência física ou intelectual, ao assegurar igualdade de oportunidades, acessibilidade e respeito. O objetivo é romper barreiras que, por muito tempo, impediram a participação plena desses indivíduos na sociedade.

Para a psicóloga, escritora e produtora de projetos culturais Mari Martins, a inclusão é fundamental porque reconhece a dignidade e o valor de cada pessoa, exatamente como ela é, fortalecendo o sentimento de pertencimento.

  

Transmite sentimentos 

Nesse contexto, a literatura desempenha um papel importante ao ampliar vozes e narrativas, oferecendo diferentes perspectivas que enriquecem a construção coletiva da sociedade. A poeta, filósofa e advogada Beth Guedes destaca que a poesia, em especial, transmite sentimentos com leveza e dialoga com a sensibilidade e a empatia por meio de uma linguagem universal, tornando-se uma ferramenta de inclusão para minorias no cenário artístico e cultural. 

Beth é uma das pessoas que encontrou na poesia um caminho para a inclusão. Ela nasceu com uma deformidade congênita causada pela ausência do acetábulo do fêmur no quadril esquerdo, condição que exigiu a colocação de uma prótese. Foi por meio da arte que passou a expressar seus sentimentos e, ao mesmo tempo, criar oportunidades para outras pessoas.

Hoje, desenvolve projetos como saraus poéticos e a Casa dos Poetas, localizada no distrito de Extração/Curralinho, em Diamantina (MG), voltados à promoção da acessibilidade e da inclusão.

Segundo Beth, os saraus são realizados em parceria com agentes culturais e bares do distrito, onde vive desde 2022, além de acontecerem em Diamantina, cidade reconhecida como Patrimônio Histórico e Cultural da Humanidade. Os encontros utilizam a arte como uma linguagem de respeito às diferenças, abrindo espaço para minorias, moradores, poetas, artistas e leitores se expressarem e serem acolhidos pela sociedade.

“Muitas pessoas desenvolveram o gosto pela escrita com essa motivação e, consequentemente, resgataram a autoestima”, afirma.

A valorização da diversidade por meio da cultura se repete em diferentes iniciativas espalhadas pelo país. As manifestações artísticas não têm idade, tampouco espaço para preconceitos. Pelo contrário, tornam-se ambientes acolhedores, capazes de abraçar diferentes corpos, histórias, ritmos e formas de expressão.

Esses projetos permitem que pessoas historicamente silenciadas sejam vistas e ouvidas, fortalecendo o diálogo social, criando vínculos e promovendo identificação. Ao mesmo tempo, ajudam quem nunca enfrentou situações de exclusão a compreender os obstáculos vividos por parte da população.

Mari Martins reforça que a arte acolhe diferentes corpos e vivências, fortalece a autoestima, favorece a expressão das, amplia a socialização e estimula a comunicação e a criatividade. Além disso, desperta o sentimento de pertencimento e mostra que ninguém deve ter sua vida limitada por ser diferente.

Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia

Para Beth Guedes, a poesia também exerce um papel transformador na saúde mental. Por meio da linguagem universal da arte, ela contribui para que pessoas invisibilizadas reencontrem seu lugar no mundo, aprendam a aceitar a si mesmas e ao outro, compreendendo que as diferenças fazem parte da experiência humana. Para ela, a poesia cura, liberta e salva.

compartilhe