Durante anos, mulheres que sofrem com os fogachos da menopausa e não podem recorrer à terapia hormonal conviveram com alternativas limitadas para aliviar os sintomas. Esse cenário começa a mudar com a aprovação, pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), do fezolinetanto, primeiro medicamento não hormonal autorizado no Brasil para o tratamento dos fogachos associados à menopausa.

A novidade representa um avanço importante para a saúde da mulher e tem um impacto significativo na oncologia, especialmente para pacientes com câncer de mama que entram em menopausa precoce em decorrência do tratamento e, justamente por isso, não têm indicação para reposição hormonal.

Os famosos fogachos da menopausa, também conhecidos como “calorão”, afetam cerca de oito em cada dez mulheres e vão muito além da sensação repentina de calor. Eles podem provocar alterações no sono, fadiga, irritabilidade, dificuldade de concentração e impactos importantes na vida social, profissional e emocional.

Para mulheres que passaram por tratamento contra o câncer, esses sintomas costumam ser ainda mais intensos. Isso porque a quimioterapia, a hormonioterapia e, em alguns casos, a retirada dos ovários podem antecipar a menopausa, tornando os calorões mais frequentes e intensos.

Segundo a oncologista do Grupo SOnHe, Susana Ramalho, a aprovação do novo medicamento representa uma mudança aguardada há anos. "A chegada de um medicamento desenvolvido exatamente para controlar esses sintomas, sem interferir na segurança oncológica da paciente, representa uma evolução importante no cuidado. É uma conquista que impacta diretamente a qualidade de vida dessas mulheres."

Oncologista clínica Susana Ramalho

Arquivo pessoal

 

Diferentemente da terapia hormonal, o fezolinetanto atua no sistema nervoso central. O medicamento bloqueia os receptores de neurocinina-3 (NK3), envolvidos na regulação da temperatura corporal, ajudando a reduzir a frequência e a intensidade dos fogachos e dos suores noturnos sem recorrer à reposição hormonal. Essa característica faz com que ele represente uma alternativa especialmente importante para mulheres com contraindicação ao uso de estrogênio.

De acordo com o oncologista Leonardo Silva, também do Grupo SOnHe, a novidade acompanha uma mudança importante na forma como a medicina tem encarado o tratamento oncológico. "Hoje, quando falamos em câncer, não pensamos apenas em controlar a doença. Pensamos em como essa mulher vai viver durante e depois do tratamento. Pacientes que permanecem cinco, sete ou até dez anos em hormonioterapia frequentemente enfrentam sintomas que comprometem o sono, o trabalho, os relacionamentos e até a adesão ao tratamento."

Oncologista clínico Leonardo Silva

Arquivo pessoal

"Quando conseguimos controlar esses efeitos de forma segura, oferecemos mais conforto, mais qualidade de vida e favorecemos a continuidade do tratamento oncológico", complementa.

Além de um novo medicamento se disponibilizado no Brasil, a aprovação da Anvisa reforça uma mudança de paradigma no cuidado à mulher durante a menopausa.

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Para os especialistas, a qualidade de vida deve caminhar lado a lado com o tratamento da doença, especialmente em um momento em que cada vez mais pacientes vivem por muitos anos após o diagnóstico de câncer. Nesse contexto, controlar os efeitos provocados pela menopausa deixa de ser apenas uma questão de conforto e passa a fazer parte do cuidado integral à saúde.

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