SAÚDE DA MULHER

Queda hormonal na menopausa afeta saúde das articulações, mas há solução

Pesquisas apontam que mais de 70% das mulheres relatam sintomas musculoesqueléticos na transição menopausal, com impacto direto na qualidade de vida

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Dores persistentes nos joelhos, ombros, mãos e tornozelos, frequentemente atribuídas ao avanço da idade, vêm sendo cada vez mais associadas às alterações hormonais da menopausa. Em 2024, pesquisadores publicaram na revista científica Climacteric o conceito de síndrome musculoesquelética da menopausa, conjunto de manifestações que relaciona a queda dos níveis de estrogênio ao surgimento de dores articulares, perda de massa muscular, redução da densidade óssea e progressão de doenças como a osteoartrite.

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Segundo o estudo, mais de 70% das mulheres apresentam sintomas musculoesqueléticos durante a transição menopausal, enquanto cerca de 25% desenvolvem limitações que impactam a qualidade de vida. A ginecologista Roberta Brando, especialista em estética íntima e terapia hormonal feminina, diz que "a dor crônica em articulações como joelhos, ombros, mãos e tornozelos, frequentemente relatada por mulheres a partir dos 45 anos, não deve ser encarada como algo natural do envelhecimento", comenta.

"A medicina já reconhece a chamada síndrome musculoesquelética da menopausa, diretamente relacionada à queda do estrogênio durante o climatério. Esse hormônio tem papel essencial na saúde das articulações, e sua redução favorece processos inflamatórios, diminuição do líquido sinovial e alterações no colágeno, resultando em rigidez muscular, dor ao acordar, dificuldade de recuperação após esforço físico e limitações funcionais, como subir escadas”, explica.

O papel do estrogênio vai além da função reprodutiva. A literatura científica aponta que o hormônio atua diretamente na manutenção de músculos, tendões, ossos e articulações. Com sua redução, aumentam os processos inflamatórios e diminui a capacidade de recuperação dos tecidos, favorecendo quadros de rigidez muscular, dores articulares e sensação de fadiga após esforços físicos.

Uma revisão publicada em 2024 na revista Pain destaca que a transição menopausal está associada ao aumento da prevalência de dores musculoesqueléticas, enquanto um estudo longitudinal conduzido na China identificou maior ocorrência desses sintomas à medida que as mulheres avançam para as fases mais tardias da menopausa.

“Além disso, evidências científicas indicam que a combinação de colágeno tipo II, condroitina e níveis adequados de vitaminas pode contribuir para a saúde articular e a recuperação da cartilagem. A menopausa não deve ser vista como sinônimo de limitação, mas como uma fase que exige novos estímulos e cuidados específicos. Com o suporte adequado, é possível preservar a qualidade de vida, reduzir dores e manter o corpo ativo”, afirma Roberta.

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Ainda de acordo com a ginecologista, diante desse cenário, a abordagem clínica não deve se restringir à reposição hormonal. “É fundamental adotar uma estratégia multifatorial, que inclua a melhora dos hábitos de vida. A qualidade do sono, por exemplo, influencia diretamente o estado inflamatório do organismo e a preservação da massa muscular, enquanto o sedentarismo acelera a rigidez e a perda de funcionalidade, podendo levar à sarcopenia. A prática regular de atividade física é indispensável para manter a mobilidade e reduzir os sintomas.”

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