Masturbação reduz a testosterona? Quatro perguntas sobre a prática
Médico esclarece dúvidas sobre os efeitos da masturbação na saúde masculina e alerta para situações em que o comportamento pode interferir nos relacionamentos
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Durante décadas, a masturbação foi cercada por tabus e crenças sem comprovação científica, entre elas a ideia de que a prática poderia “roubar” a testosterona, diminuir a força física ou comprometer o desempenho sexual masculino. Mas, segundo especialistas, a realidade é bem diferente: a masturbação não reduz os níveis hormonais de forma significativa nem prejudica a fertilidade.
O urologista e andrologista Pedro Bastos explica que o ponto central para avaliar se o comportamento é saudável não está na frequência, mas no impacto que ele provoca na rotina, nos relacionamentos e na própria satisfação sexual. O especialista derruba mitos e fala sobre quando o hábito pode se tornar um problema.
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1. A masturbação interfere na produção de testosterona?
Não. Esse é um dos principais mitos relacionados à saúde sexual masculina.
A masturbação não reduz a produção de testosterona nem causa queda sustentada dos níveis hormonais. A testosterona é produzida pelos testículos sob controle de um sistema hormonal complexo entre cérebro e testículos, e esse mecanismo não é prejudicado pela masturbação.
Após a ejaculação podem ocorrer pequenas oscilações hormonais, mas elas são transitórias, discretas e sem qualquer impacto clínico.
Portanto, não há evidência científica de que a masturbação diminua a testosterona, reduza a fertilidade ou cause perda de desempenho físico.
2. Existe uma frequência considerada normal?
Não existe um número considerado “normal” de masturbações por semana ou por mês.
A frequência varia conforme idade, libido, presença de parceiro(a), rotina, estresse e características individuais. O que define um comportamento saudável não é a quantidade, mas o impacto que ele tem na qualidade de vida.
Se a masturbação ocorre de forma espontânea, sem prejuízo para a vida afetiva, profissional ou social, ela é considerada uma expressão normal da sexualidade.
3. Quais são os principais mitos sobre masturbação que ainda persistem?
Ainda existem muitos mitos que não encontram respaldo científico, como a ideia de que masturbação diminui a testosterona, causa impotência, infertilidade, reduz o tamanho do pênis, provoca espinhas ou leva à perda de força física.
Por outro lado, também é importante desfazer um mito mais recente: acreditar que qualquer padrão de masturbação é sempre inofensivo.
Na prática clínica, observamos que alguns homens desenvolvem dificuldades sexuais quando a masturbação passa a ser excessiva e quase sempre associada ao consumo frequente de pornografia. Nesses casos, o cérebro pode se habituar a um padrão de estímulo altamente intenso e artificial, baseado em novidades constantes e forte estímulo visual, diferente daquele encontrado em uma relação sexual real.
Esse condicionamento pode contribuir para dificuldade de manter a ereção durante a relação, demora para atingir o orgasmo, alterações do tempo ejaculatório ou redução da satisfação sexual com o(a) parceiro(a). O problema, portanto, não é a masturbação em si, mas o contexto em que ela ocorre e quando passa a substituir a vida sexual saudável.
4. Quando esse hábito pode indicar a necessidade de procurar ajuda médica?
O principal sinal de alerta não é a frequência, mas a perda de controle e o prejuízo causado pelo comportamento.
É recomendável procurar um urologista ou outro profissional capacitado quando a masturbação se torna compulsiva, interfere no trabalho, nos estudos ou nos relacionamentos, gera sofrimento emocional ou quando o homem percebe que consegue ter ereção ou atingir o orgasmo apenas durante a masturbação, mas apresenta dificuldades durante a relação sexual.
Também merece avaliação quando há dor, lesões no pênis ou surgimento de sintomas como diminuição importante da libido ou disfunção erétil persistente, situações que podem estar relacionadas a alterações hormonais, vasculares, neurológicas ou psicológicas.
Na grande maioria dos casos, essas dificuldades têm tratamento. A abordagem pode incluir orientação sobre hábitos sexuais, redução do consumo de pornografia quando ela está associada ao quadro, terapia sexual, acompanhamento psicológico e, quando necessário, tratamento médico específico.
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