Calvície hereditária: o que os pais transmitem aos filhos?
Embora a predisposição genética seja o principal fator para a alopecia androgenética, outras doenças e condições também podem causar queda de cabelo
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"Meu pai é careca. Vou ficar careca também?" A dúvida é comum entre homens de diferentes idades. Apesar da crença de que a calvície é herdada apenas da família materna, a genética da alopecia androgenética é bem mais complexa e envolve genes herdados tanto do pai quanto da mãe.
Segundo o dermatologista e tricologista Hudson Dutra Rezende, a predisposição genética é um dos principais fatores para o desenvolvimento da calvície, mas não determina, sozinha, que ela irá acontecer.
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"Existe o mito de que a calvície vem apenas do lado da mãe porque um dos genes mais estudados relacionados à alopecia androgenética está localizado no cromossomo X. No entanto, hoje sabemos que a condição é poligênica, ou seja, envolve diversos genes herdados tanto da mãe quanto do pai. Ter um familiar careca aumenta o risco, mas não significa que a pessoa necessariamente desenvolverá a condição", explica.
Os primeiros sinais costumam surgir entre os 20 e 30 anos, embora possam aparecer antes ou depois. Afinamento dos fios, aumento da queda e o surgimento de entradas são sinais que merecem atenção.
Embora a predisposição genética seja o principal fator para a alopecia androgenética, outras doenças e condições também podem causar queda de cabelo e devem ser investigadas.
Alterações hormonais, doenças do couro cabeludo, alopecia areata, alopecia por tração, tricotilomania, estresse intenso, uso de determinados medicamentos e suplementos, alterações relacionadas ao uso ou interrupção de pílulas anticoncepcionais, radioterapia e até quadros de desnutrição também podem estar associados à perda capilar. Por isso, a avaliação médica é fundamental para identificar a causa e indicar o tratamento mais adequado.
"Quanto mais cedo o paciente procura por um médico, maiores são as chances de retardar a progressão da alopecia com tratamentos individualizados", destaca Hudson.
Quando a perda capilar já é definitiva, o transplante capilar pode ser indicado. O médico cirurgião Thiago Bianco Leal explica que o procedimento consiste na retirada de folículos capilares de regiões doadoras, normalmente da parte posterior e lateral da cabeça, para serem implantados nas áreas com falhas ou calvície.
Os fios transplantados mantêm suas características genéticas e continuam crescendo normalmente. A técnica permite recuperação mais rápida, cicatrizes praticamente imperceptíveis e resultados progressivos e naturais.
"O transplante devolve cabelos às áreas onde houve perda permanente dos fios. E muitas vezes é associado ao tratamento clínico para preservar os cabelos existentes e garantir resultados mais duradouros e naturais. O planejamento individual é essencial para que o resultado respeite as características de cada paciente", afirma Thiago.
Os especialistas reforçam que pessoas com histórico familiar ou que percebam queda persistente e afinamento dos fios devem procurar um médico. A avaliação precoce amplia as opções de tratamento e contribui para melhores resultados.
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