Convulsão em campo acende alerta para risco oculto no futebol
Especialista explica por que o perigo real pode não se manifestar de forma dramática logo no primeiro momento do impacto
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A convulsão sofrida por um jogador após um choque de cabeça em campo reacende um debate que vem ganhando espaço na medicina esportiva: quais são os riscos neurológicos associados aos traumatismos cranianos no futebol?
Embora nem todo impacto resulte em uma lesão grave, concussões e outros tipos de trauma craniano exigem avaliação imediata e acompanhamento adequado para evitar complicações.
Segundo o neurocirurgião Feres Chaddad, professor associado livre-docente da Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), um dos principais erros é minimizar esse tipo de ocorrência por fazer parte da dinâmica do esporte.
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“Nem todo traumatismo craniano se manifesta de forma dramática no primeiro momento. Às vezes, o atleta levanta, permanece consciente, mas já apresenta um quadro que exige observação rigorosa. Quando há convulsões, desorientação, vômitos, sonolência excessiva ou perda de consciência, a avaliação médica precisa ser imediata”, afirma.
De acordo com o especialista, a presença de convulsão após um impacto na cabeça é um importante sinal de alerta e demanda investigação para descartar lesões intracranianas potencialmente graves. “Esse quadro pode estar relacionado a uma concussão importante e exige investigação para afastar lesões intracranianas, como hematomas e sangramentos. O cérebro precisa ser protegido desde o primeiro sinal de alerta”, diz.
A preocupação não se limita aos efeitos imediatos dos traumatismos. Nos últimos anos, pesquisadores têm ampliado as investigações sobre as consequências da exposição repetida a impactos na cabeça ao longo da carreira esportiva.
Efeitos cumulativos
Uma revisão publicada em 2025 analisou as evidências disponíveis sobre lesões cerebrais relacionadas ao futebol e destacou preocupações quanto aos possíveis efeitos cumulativos dos impactos repetidos ao longo do tempo. Outra pesquisa sugere ainda que cabeceios repetitivos durante a carreira profissional no futebol estão associados a um risco aumentado de comprometimento cognitivo na vida adulta.
Para o neurocirurgião, esse cenário reforça a importância da prevenção e do monitoramento adequado dos atletas, mesmo quando os sintomas parecem leves. “Hoje sabemos que a preocupação não está apenas no impacto de grande intensidade, mas também na soma de pequenos traumas ao longo do tempo. Por isso, protocolos de retirada do jogo, observação clínica e retorno seguro ao esporte são fundamentais”, afirma.
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Embora a ciência ainda busque esclarecer completamente os efeitos neurológicos da exposição repetida a impactos na cabeça, há consenso de que o reconhecimento precoce dos sinais de alerta e a adoção de protocolos de segurança são essenciais para reduzir os riscos. "Em um esporte marcado pela competitividade e pela pressão por resultados, a preservação da saúde cerebral dos atletas tem se consolidado como uma prioridade dentro e fora dos gramados."