Homens começam a desenvolver doenças cardiovasculares anos antes das mulheres, e essa diferença aparece mais cedo do que muitos imaginavam.
Um estudo publicado em 2021 no Journal of the American Heart Association mostrou que o risco cardiovascular masculino começa a se distanciar do feminino por volta dos 35 anos, especialmente em relação à doença coronariana, principal causa de infarto. A pesquisa acompanhou mais de cinco mil pessoas durante mais de três décadas por meio do estudo Cardia, uma das maiores análises longitudinais sobre saúde cardiovascular nos Estados Unidos.
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Os dados da pesquisa mostraram que os homens desenvolveram doenças cardiovasculares, em média, sete anos antes das mulheres. Quando o foco é especificamente a doença coronariana, a diferença sobe para cerca de dez anos.
Para o cardiologista Roberto Yano, embora fatores biológicos influenciem essa diferença, hábitos de vida e questões comportamentais têm papel importante nesse cenário. “Os homens costumam se expor mais precocemente a fatores de risco cardiovasculares e, além disso, existe uma resistência cultural muito maior em procurar um acompanhamento médico preventivo”, afirma.
Cardiologista Roberto Yano
Diferença além da biologia
De acordo com os pesquisadores, mesmo após o ajuste para fatores clássicos como pressão alta, colesterol elevado, glicemia e hábitos de vida, a diferença entre homens e mulheres permaneceu significativa. Isso sugere que fatores hormonais e metabólicos também podem influenciar a proteção cardiovascular feminina durante parte da vida adulta.
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“O estrogênio exerce um efeito protetor importante sobre o sistema cardiovascular da mulher antes da menopausa, ajudando na proteção vascular e no metabolismo do colesterol”, explica Roberto.
Ainda assim, ele destaca que os hábitos masculinos frequentemente aceleram o processo de desgaste cardiovascular. “Maior consumo de álcool, tabagismo, sedentarismo, alimentação inadequada, estresse crônico e menor adesão a exames preventivos contribuem bastante para esse aparecimento mais precoce das doenças cardíacas”, comenta.
Resistência em procurar ajuda médica
Além dos fatores físicos, especialistas apontam que muitos homens tendem a ignorar sintomas iniciais ou postergar consultas médicas.
“Existe uma cultura de negligenciar sinais do corpo e buscar atendimento apenas quando os sintomas já estão mais avançados. Isso atrasa o diagnóstico e o tratamento. Sintomas como cansaço excessivo, falta de ar, dores no peito, palpitações e redução de desempenho físico muitas vezes são normalizados no cotidiano masculino”, afirma o cardiologista.
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“A prevenção cardiovascular depende muito de acompanhamento contínuo. Muitas doenças evoluem silenciosamente durante vários anos antes do primeiro evento mais grave, como o infarto, se manifestar”, explica.
Estresse e rotina
Outro ponto levantado por especialistas é o impacto do estresse crônico e da pressão cotidiana sobre a saúde cardiovascular masculina. “A sobrecarga emocional contínua aumenta níveis de cortisol e adrenalina, o que favorece a hipertensão, a inflamação vascular e um maior desgaste cardíaco ao longo do tempo”, comenta Roberto.
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“Hoje sabemos que o processo de adoecimento cardiovascular pode começar muito antes, quanto mais cedo houver atenção à alimentação, atividade física, sono e controle emocional, maiores as chances de prevenir complicações futuras”, afirma.
