ALÉM DO APERTO NO PEITO

A regra dos parentes de 1º grau que você precisa saber sobre o coração

Se você tem familiares que enfartaram cedo, o rastreamento rigoroso precisa começar antes mesmo que qualquer sintoma perigoso apareça

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O infarto deixou de ser uma preocupação exclusiva da terceira idade e tem acendido um alerta cada vez maior para a população jovem. Segundo dados do Sistema Único de Saúde (SUS), as internações de pessoas com menos de 39 anos mais que dobraram nos últimos 16 anos.

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De acordo com Estevao Lanna, cardiologista do Hospital Orizonti, o desenvolvimento das doenças cardiovasculares está intimamente ligado ao estilo de vida moderno. Além de fatores genéticos e do envelhecimento natural do corpo, os hábitos diários têm um peso significativo, sendo o sedentarismo, o tabagismo, a má alimentação e o estresse crônico os grandes vilões, agravados por condições como hipertensão, diabetes e colesterol alto.

"Muitas pessoas convivem com o estreitamento das artérias por anos sem sentir nada. O risco ocorre quando há o bloqueio total do fluxo sanguíneo para o coração, causando a morte do músculo cardíaco. Por isso, manter uma rotina de exercícios físicos, ter uma alimentação balanceada e fazer exames preventivos regularmente são os passos mais importantes e modificáveis para evitar o infarto", alerta o especialista.

Também é fundamental o rastreamento em casos de histórico familiar. Pacientes que possuem parentes de primeiro grau que infartaram jovens, como homens antes dos 55 anos e mulheres antes dos 65, precisam de um acompanhamento médico mais rigoroso para garantir o controle dos fatores de risco antes que a doença se manifeste.

Apesar da formação das placas de gordura ser um processo silencioso, o momento do infarto gera sintomas imediatos que exigem socorro rápido. O principal sinal é uma dor no peito de início súbito, muitas vezes descrita como um aperto, peso ou queimação.

"Se essa dor no peito irradiar para o braço esquerdo, pescoço ou mandíbula, e vier acompanhada de suor frio, falta de ar, palidez, náuseas ou tontura, a ida ao pronto-socorro deve ser imediata. Na cardiologia, dizemos que 'tempo é músculo', ou seja, quanto mais rápido o atendimento, menor será a área do coração afetada", enfatiza o cardiologista.

A confirmação do infarto ocorre de forma rápida na emergência, guiada pelos sintomas, pela realização do eletrocardiograma (ECG) e por exames de sangue que medem as enzimas cardíacas. Uma vez diagnosticado o problema, as opções de intervenção urgentes visam desobstruir a artéria afetada, geralmente por meio do cateterismo seguido de angioplastia, com a colocação de stent ou, em casos específicos, pelo uso de medicamentos trombolíticos.

Outro ponto de atenção é a complexidade do período pós-infarto. Durante a internação e após a alta, o cuidado com o paciente precisa ser multidisciplinar para evitar novas ocorrências e promover a reabilitação cardíaca.

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"Nessa fase de recuperação, não basta apenas tratar a lesão aguda. É uma janela de oportunidade crucial para que o paciente ressignifique sua relação com a própria saúde, aderindo aos medicamentos prescritos e abraçando um novo estilo de vida focado no bem-estar."

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