Como construir ossos fortes antes da menopausa e prevenir a osteoporose
Ginecologista explica o impacto da reserva de massa óssea formada na juventude e aponta os hábitos essenciais para proteger a saúde feminina na maturidade
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A menopausa é uma fase natural da vida da mulher, marcada pelo encerramento definitivo dos ciclos menstruais em decorrência da redução da produção dos hormônios femininos pelos ovários. Embora seja um processo fisiológico esperado, essa transição pode trazer impactos significativos para a saúde, especialmente para os ossos.
A menopausa só é oficialmente reconhecida após 12 meses consecutivos sem menstruação e, geralmente, ocorre entre os 45 e 55 anos. Antes disso, muitas mulheres passam pelo período de transição conhecido como climatério, quando sintomas como alterações no ciclo menstrual, ondas de calor, ganho de peso, redução da libido, suor noturno, insônia, secura vaginal, oscilações de humor, ansiedade e depressão podem surgir.
Além dessas manifestações, a saúde óssea também merece atenção especial. Durante a menopausa, a queda dos níveis de estradiol, hormônio que desempenha papel fundamental na manutenção da densidade óssea, acelera a perda de massa óssea e aumenta o risco de osteopenia e osteoporose. Por isso, a ginecologista Loreta Canivilo reforça a importância de investir na construção de uma boa saúde óssea muito antes da chegada dessa etapa.
“A redução dos níveis de estradiol compromete o equilíbrio do processo de remodelação óssea. Com isso, a reabsorção do osso passa a acontecer de forma mais intensa do que a formação de um novo tecido ósseo, tornando os ossos mais frágeis e suscetíveis a fraturas”, explica a ginecologista Loreta Canivilo.
Segundo a especialista, a proteção dos ossos na menopausa começa décadas antes. A infância e a adolescência representam períodos fundamentais para a formação do chamado pico de massa óssea, que corresponde à maior quantidade de tecido ósseo acumulada ao longo da vida.
“A construção de ossos fortes é um investimento para o futuro. Quanto melhor for o pico de massa óssea alcançado na juventude, maior será a reserva disponível para enfrentar as perdas naturais que acontecem com o envelhecimento e, principalmente, após a menopausa”, destaca Loreta.
Entre os fatores que contribuem para a formação de uma estrutura óssea saudável estão a prática regular de atividade física, a exposição adequada ao sol para síntese de vitamina D, uma alimentação equilibrada e o consumo suficiente de cálcio. Esses cuidados favorecem o desenvolvimento e a manutenção dos ossos ao longo da vida.
“A partir de determinada fase da vida, o organismo deixa de construir massa óssea de forma significativa e passa a perder tecido ósseo gradualmente. Por isso, é tão importante criar uma boa reserva óssea desde cedo. Mulheres que chegam à menopausa com uma estrutura óssea mais robusta tendem a sofrer menos impactos decorrentes dessa perda natural”, afirma a médica.
A avaliação da saúde óssea pode ser realizada por meio da densitometria óssea, exame que mede a densidade mineral dos ossos e auxilia na identificação de alterações precoces. Os resultados são comparados a parâmetros de adultos jovens saudáveis, permitindo classificar a condição óssea da paciente.
“Quando a perda de massa óssea é mais acentuada, podemos diagnosticar a osteoporose. Já as perdas menos intensas são classificadas como osteopenia, que representa um estágio intermediário e um sinal de alerta para adoção de medidas preventivas”, explica Canivilo.
De acordo com a especialista, investir em hábitos saudáveis antes da menopausa é uma das estratégias mais eficazes para reduzir o risco de fraturas, preservar a mobilidade e garantir mais qualidade de vida nas décadas seguintes.
“A saúde óssea não começa na menopausa. Ela é construída ao longo de toda a vida. Quanto mais cedo a mulher adotar hábitos que favoreçam a formação e a preservação dos ossos, maiores serão as chances de envelhecer com autonomia, força e bem-estar”, ensina Canivilo.
PERFIL
Loreta Canivilo é médica ginecologista, obstetra e gineco-endocrinologista, especialista em reposição hormonal feminina, estética íntima feminina e no tratamento de doenças do útero e endométrio.
A profissional possui diversas pós-graduações em instituições de referência, como o Hospital Sírio-Libanês, onde se especializou em reprodução e ginecologia endócrina, e o Hospital Albert Einstein, onde estudou medicina em estado da arte. Também é especialista em nutrologia e endocrinologia pela Faculdade Primum, referência em educação médica.
Nas redes sociais, Loreta já acumula mais de 95 mil seguidores (@draloreta), oferecendo conteúdos explicativos sobre saúde da mulher, gestação, reposição hormonal e implantes.
Além disso, é idealizadora de um projeto social, em parceria com o Instituto Primum — onde também ministra aulas —, que promove atendimento gratuito de saúde feminina para mulheres em situação de vulnerabilidade.
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