Minas Gerais segue em alerta para a dengue. Segundo o boletim epidemiológico da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG), divulgado na segunda-feira (18/5), o estado já contabiliza 26.284 casos confirmados da doença em 2026, além de 20 mortes e outras 33 em investigação.
O cenário reforça a preocupação das autoridades de saúde em todo o país e destaca a importância de medidas preventivas capazes de reduzir a transmissão e evitar agravamentos.
Um estudo desenvolvido pela Fundação Getulio Vargas (FGV), em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), projeta até 1,8 milhão de casos prováveis de dengue no Brasil na temporada 2025–2026. Minas Gerais deve concentrar aproximadamente 10% dessas infecções, estatística que colocaria o estado entre os mais impactados pela circulação do vírus.
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Evoluir rapidamente
Transmitida pela picada do mosquito Aedes aegypti, a dengue pode provocar:
- febre alta
- dores musculares intensas
- dor atrás dos olhos
- manchas vermelhas pelo corpo
- forte indisposição
Em casos mais graves, a doença pode evoluir rapidamente para complicações hemorrágicas, desidratação severa e risco de morte.
Para Isabel Dias, gerente técnica da Drogaria Araujo, um dos principais desafios ainda é a baixa percepção de risco antes do avanço dos casos. “Existe uma tendência das pessoas buscarem proteção apenas quando a dengue já está em alta, mas tanto a vacinação quanto o uso contínuo de repelente precisam fazer parte da prevenção. Quando a transmissão aumenta, muitas vezes já não há tempo suficiente para criar uma barreira de proteção adequada”, explica.
Proteção antes do pico de transmissão
Entre as principais formas de prevenção está a vacinação contra a dengue. Estudos clínicos apontam 80,2% de eficácia global na prevenção da dengue sintomática após 12 meses da vacinação. Os dados também demonstram 90,4% de proteção contra hospitalizações, reforçando o papel da vacina na redução de casos graves e complicações da doença.
Desde o ano passado, apenas o público de 10 a 14 anos pode iniciar a vacinação contra a dengue e receber a primeira dose pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A medida foi definida pelo Ministério da Saúde. O esquema vacinal da Qdenga, vacina atenuada tetravalente, é composto por duas doses, aplicadas com intervalo de três meses.
Em Minas Gerais, o município de Nova Lima foi escolhido para um estudo-piloto nacional que avalia o impacto da imunização de mais de 50% da população em curto intervalo de tempo. A vacinação no município teve início em 17/1 para toda a população elegível, com idade entre 15 e 59 anos, além de profissionais de saúde que atuam na linha de frente e realizam atendimentos na Atenção Primária à Saúde (APS). O estudo também ocorre em Maranguape (CE) e Botucatu (SP). A vacina 100% brasileira foi desenvolvida pelo Instituto Butantan. O imunizante é de dose única e também tetravalente, ou seja, protege contra os quatro sorotipos da doença.
Redes particulares e drogarias disponibilizam a vacina Qdenga para pessoas entre 4 e 60 anos. O imunizante também é aplicado em duas doses, com intervalo mínimo de três meses.
Circulação viral
Além da imunização, profissionais da área da saúde reforçam que a proteção diária contra a picada do mosquito continua sendo fundamental, especialmente em períodos de maior circulação viral. O uso regular de repelentes — em spray, loção ou creme — é recomendado para crianças e adultos, principalmente em ambientes abertos, áreas com presença de mosquitos e regiões com alta incidência da doença.
“O repelente deixou de ser um item sazonal para se tornar um cuidado contínuo, principalmente em estados como Minas Gerais, que convivem há anos com períodos recorrentes de alta transmissão”, orienta Isabel Dias.
Diagnóstico rápido ajuda a reduzir complicações
Outro ponto importante no enfrentamento da dengue é o diagnóstico precoce. Identificar rapidamente a doença ajuda no monitoramento clínico, evita agravamentos e contribui para orientar corretamente hidratação, repouso e necessidade de acompanhamento médico.
Os exames rápidos têm ganhado espaço justamente pela agilidade no resultado e pela facilidade de acesso. Eles são realizados a partir de uma pequena coleta de sangue e conseguem identificar não apenas dengue, mas também zika e chikungunya — arboviroses transmitidas pelo mesmo mosquito e que apresentam sintomas semelhantes.
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“A confirmação rápida permite que o paciente receba orientação adequada logo nos primeiros sintomas, reduzindo riscos e ajudando também no controle epidemiológico da doença”, destaca a gerente técnica.
