A menopausa já impacta diretamente a saúde de milhões de brasileiras e se consolida como um desafio crescente no país. Hoje, cerca de 30 milhões de mulheres estão no climatério ou na menopausa, segundo dados divulgados em 2024 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O número representa 7,9% da população feminina e ajuda a dimensionar uma fase marcada por queixas recorrentes como ganho de peso, perda de massa muscular, alterações no sono e a sensação de metabolismo mais lento.

Para muitas mulheres, o impacto vai além do desconforto físico, é também emocional. A percepção de que o corpo já não responde da mesma forma pode trazer frustração, insegurança e até uma sensação silenciosa de perda de identidade. 

De acordo com Bárbara Assalin, líder técnica de nutrição da Clínica Seven, as mudanças hormonais estão no centro desse processo. “A queda do estrogênio altera diretamente o funcionamento metabólico. O organismo passa a gastar menos energia, perde massa magra e tende a acumular gordura, especialmente na região abdominal”, explica.

Medo de adoecer 

A atriz e diretora Valéria Alencar Vitti, 60 anos, viveu essa transição de forma intensa. Moradora do Rio de Janeiro e mãe dos atores Rafael e Francisco Vitti, ela decidiu buscar ajuda após perceber que algo não estava bem. “Eu estava cansada, com o sono completamente desregulado e muito compulsiva por doce. Fazia exames e via que estava no limite de várias taxas. Comecei a ter medo de adoecer”, relata.

Segundo ela, o ponto mais delicado não foi apenas o ganho de peso, mas a sensação de que seu corpo havia mudado de regra. “Cheguei a pensar que meu corpo não responderia mais como antes. Existe um discurso silencioso de que, depois dos 50, é assim mesmo. Eu quase aceitei isso”, afirma a atriz.

Saúde metabólica

Ao iniciar acompanhamento personalizado, Valéria passou por uma avaliação metabólica, que analisou composição corporal, rotina, histórico clínico e padrões alimentares. A estratégia incluiu reorganização alimentar, ajustes de suplementação e foco na preservação de massa muscular, fator crucial nessa fase da vida.

Em menos de dois meses, eliminou 8 quilos, preservou massa magra e observou melhora significativa no sono e na disposição. “Não foi sobre passar fome ou viver de restrição. Foi sobre entender meu corpo nessa nova fase. Eu precisava de orientação e acompanhamento próximo. Me senti acolhida, segura e, principalmente, capaz de mudar”, comenta Valéria.

Além da transformação física, houve impacto direto na vida profissional. Atriz, diretora e professora, Valéria afirma que a energia recuperada mudou sua rotina de trabalho. “Como vou dirigir atores, dar aula ou criar projetos sem disposição? Hoje me sinto mais presente e ativa. Isso não tem preço”.

Qualidade de vida

Os relatos encontram respaldo em evidências científicas. Estudo publicado em 2023 na revista Menopause – The Journal of The Menopause Society aponta que mais de um terço das brasileiras após a menopausa sofre com ondas de calor moderadas ou graves. Sintomas como dores articulares, alterações de humor, dificuldade de concentração, distúrbios do sono e mudanças na composição corporal são frequentes e impactam diretamente a qualidade de vida e o risco metabólico.

Diante desse cenário, especialistas defendem que a estratégia vai além da balança. A abordagem inclui avaliação metabólica aprofundada, que pode envolver testes genéticos para identificar predisposições e respostas individuais aos nutrientes, e a definição de um plano alimentar e de suplementação ajustado à rotina e aos objetivos de cada paciente.

“No climatério, o objetivo não deve ser apenas emagrecer, mas reorganizar o metabolismo e preservar a massa muscular, que é determinante para manter autonomia, energia e saúde a longo prazo”, destaca Bárbara, especialista da clínica.

Para Valéria, a mudança foi também simbólica. “Eu me sinto imparável. Tenho mais disposição para trabalhar, caminhar, criar. Aos 60 anos, percebi que não é a idade que limita, são os hábitos e a falta de informação”.

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Com o aumento da expectativa de vida, especialistas alertam que milhões de brasileiras ainda viverão décadas após a menopausa. Adaptar estratégias de cuidado ao novo funcionamento do corpo deixou de ser uma questão estética e passou a ser uma decisão estratégica de saúde, física, emocional e metabólica.

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