O aumento do tempo diante das telas mudou não apenas a rotina de trabalho, mas também a forma como as pessoas enxergam o próprio rosto. Videochamadas, reuniões online, lives e o hábito de se observar constantemente pela câmera têm levado muitos pacientes a notar com mais frequência sinais como excesso de pele nas pálpebras, bolsas abaixo dos olhos e aparência permanente de cansaço.

Esse fenômeno, conhecido informalmente como “efeito Zoom”, tem impulsionado a procura pela blefaroplastia, cirurgia plástica das pálpebras que pode ter finalidade estética e funcional.

O movimento acompanha uma tendência global. Dados da Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (Isaps), divulgados em 2025 e destacados pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), mostram que a blefaroplastia se tornou, pela primeira vez, a cirurgia plástica mais realizada no mundo em 2024, com mais de 2,1 milhões de procedimentos e crescimento de 13,4% em relação ao ano anterior, ultrapassando a lipoaspiração.

No Brasil, foram realizadas 231.293 cirurgias de pálpebras no mesmo período, colocando o procedimento entre os mais realizados no país, que lidera o ranking global em número de cirurgias plásticas estéticas.

De acordo com Juliano Pereira, cirurgião plástico e membro da diretoria da SBCP, o problema não está apenas na exposição constante à imagem, mas também na forma como ela acontece. “Muitas vezes, o efeito Zoom faz com que a pessoa fique com o olhar fixo nas telas por longos períodos, o que gera uma sensação de olhar mais cansado e exige mais esforço visual.”

“Além disso, em lives, reuniões online e no home office, não temos os ângulos perfeitos que costumamos escolher nas redes sociais, com melhor posição, iluminação e distância da câmera. Isso faz com que as pessoas percebam mais as alterações da face e, principalmente, da região das pálpebras”, explica.

Funcionalidade

A blefaroplastia não está ligada apenas ao rejuvenescimento. Além da maior percepção estética, o uso prolongado de telas também contribui para uma sensação de fadiga visual e pode acentuar o desconforto funcional.

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“O excesso de pele nas pálpebras superiores pode comprometer o campo de visão, causar peso constante sobre os olhos e até dificultar atividades do dia a dia”, revela Juliano. “Nesses casos, a cirurgia traz benefícios estéticos e também funcionais, melhorando conforto visual e qualidade de vida”, destaca.

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