O detalhe milimétrico que muda tudo no diagnóstico do câncer de mama
Antes mesmo de ser percebido pelo toque, um exame específico consegue rastrear a doença e garantir mais de 90% de chance de cura
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O câncer de mama é um dos tumores mais frequentes entre as mulheres. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), a estimativa é de 781 mil novos casos por ano no país até 2028. Ainda assim, partindo de números expressivos, quando diagnosticada precocemente a doença apresenta taxas de cura superiores a 90%.
Principal exame para o diagnóstico da doença, a mamografia permite identificar alterações milimétricas antes mesmo de serem perceptíveis ao toque. Quando a detecção é tardia, a doença pode já ter avançado e atingido outros órgãos.
Maria da Consolação, de 69 anos, está, desde 2019, em tratamento contra o câncer de mama no Hospital da Baleia após descobrir a doença através de exames e, quando apareceu, já tinha alcançado o seu braço. “Espero que possam surgir outros tratamentos menos agressivos, a quimio não é fácil, né? Mas deu certo. Fui muito bem acolhida e a minha família sempre me acompanhou”, conta.
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Edite de Fátima, coordenadora do serviço de mastologia no Hospital da Baleia, explica que, embora o câncer de mama geralmente se manifeste entre os 40 e 60 anos, diagnósticos cada vez mais precoces têm sido observados, atingindo inclusive mulheres com menos de 30 anos, momento em que a doença tende a apresentar características mais agressivas.
“A melhor forma de prevenção é a realização do exame e, diante de qualquer alteração nas mamas, procurar orientação médica. A idade recomendada para rastreamento do câncer continua sendo a partir dos 40 anos”, diz Edite, e ressalta que, para pacientes com histórico da doença na família ou com estudos genéticos que indicam mutações favoráveis, a idade deve ser reduzida em cerca de 10 anos antes da presença do câncer de mama no parente próximo.
Atenção integrada
"Deve haver sensibilidade ao examinar essas mulheres. Do ginecologista, que normalmente é quem pede a mamografia, e assim por diante. A paciente com um diagnóstico de câncer de mama fica extremamente fragilizada, precisa de um apoio psicológico. Já a mastologista deve apoiar, explicar e tratar, interagindo com a oncologia e vice-versa", informa Edite.
Essa sensibilidade deve levar em conta, inclusive, contextos sociais e de gênero. “A mulher trans também tem risco para câncer de mama devido à reposição hormonal contínua, que estimula o tecido mamário”, afirma. Segundo uma pesquisa realizada em 2019 pela University Medical Center, em Amsterdã, o câncer de mama tem 47 vezes mais chances de se desenvolver em mulheres trans em tratamento hormonal do que em homens cisgêneros. Nesses casos, transfobia e desinformação são as maiores barreiras da prevenção.
Mastectomia
É nessa integração das equipes e contextos que a intersecção entre mastologia e cirurgia plástica também acontece. Bruno Figueiredo, coordenador da cirurgia plástica do hospital, organiza os mutirões de reconstrução mamária que acontecem na instituição – 100% pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Ele esclarece que, na mastectomia, a paciente passa por uma mutilação, seja parcial ou total. Trata-se de uma perda física que gera impacto emocional e, portanto, é fundamental restituir essa autoimagem e autoconfiança.
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“A gente tenta trabalhar com a maior sensibilidade possível, porque é uma doença que toca muito as pessoas, em razão dos processos e múltiplas etapas. E o objetivo é que essas mulheres restituam a percepção do corpo, se sintam confiantes novamente e se vejam melhor, com mais carinho, no espelho e no dia a dia”, destaca.