Além do sal: os 5 hábitos que estão fazendo a pressão dos brasileiros subir
Obesidade e diabetes disparam no país, mas um fator específico no seu sono e na sua dieta pode estar destruindo suas artérias sem você sentir nada
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A hipertensão arterial continua avançando de forma silenciosa no Brasil e já atinge quase um terço da população adulta. Dados do Vigitel 2025, levantamento anual do Ministério da Saúde, mostram que a prevalência da doença passou de 22,6% em 2006 para 29,7% em 2024 - crescimento de 31% em menos de duas décadas. O cenário se torna ainda mais preocupante diante da estimativa de que cerca de metade dos hipertensos não saiba que convive com a condição.
Considerada um dos principais fatores de risco para infarto, acidente vascular cerebral (AVC), insuficiência cardíaca, insuficiência renal e até demência vascular, a hipertensão costuma evoluir sem sintomas aparentes durante anos. Em muitos casos, o diagnóstico só acontece após uma complicação grave.
“A hipertensão é uma doença silenciosa porque, em até 85% dos casos, não causa sintomas, mesmo quando a pressão está muito elevada. Muitas pessoas convivem com a condição sem saber e só descobrem após um infarto, um AVC ou alguma complicação cardiovascular importante”, explica a cardiologista Patrícia Tavares, coordenadora do Serviço de Cardiologia da Rede Mater Dei de Saúde.
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O impacto do diagnóstico tardio foi reforçado por um estudo publicado no ano passado no periódico científico JAMA Network Open. A pesquisa mostrou que pacientes diagnosticados com hipertensão, mais de um ano após apresentarem medições elevadas consecutivas, tiveram risco aproximadamente 29% maior de desenvolver eventos cardiovasculares graves, como infarto, insuficiência cardíaca e AVC isquêmico.
O avanço da hipertensão acompanha outra mudança importante no perfil de saúde da população brasileira. Segundo o próprio Vigitel, no mesmo período em que a pressão alta cresceu 31%, os casos de obesidade aumentaram 118% e os diagnósticos de diabetes avançaram 135%. Atualmente, 62,6% dos adultos brasileiros estão acima do peso.
Para Patrícia Tavares, essas doenças passaram a caminhar juntas e refletem mudanças importantes no estilo de vida da população. “Hipertensão, obesidade, diabetes, sedentarismo e alterações do sono formam um conjunto de fatores que aumentam significativamente o risco cardiovascular. O excesso de alimentos ultraprocessados, o consumo elevado de sódio, a falta de atividade física e o estresse crônico ajudam a explicar esse crescimento”, afirma.
Entre os principais fatores de risco modificáveis para hipertensão estão:
- Consumo excessivo de sal
- Baixa ingestão de frutas e vegetais
- Sedentarismo
- Obesidade
- Resistência à insulina
- Consumo frequente de álcool
- Distúrbios do sono
A preocupação em torno da doença levou a Sociedade Brasileira de Cardiologia, em conjunto com as sociedades brasileiras de Hipertensão e Nefrologia, a atualizar em 2025 os parâmetros nacionais para diagnóstico e acompanhamento da pressão arterial. Com a publicação da 9ª Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial, a pressão de 120/80 mmHg, antes considerada normal, passou a ser classificada como pressão elevada ou pré-hipertensão. Pela nova recomendação, apenas valores abaixo disso são considerados ideais.
Segundo a especialista, a mudança busca ampliar o rastreamento precoce e reduzir complicações futuras. “O objetivo é identificar pacientes em risco antes que eles desenvolvam lesões cardiovasculares importantes. Quanto mais cedo houver diagnóstico e controle da pressão, menores são as chances de complicações graves”, explica.
Embora a hipertensão seja silenciosa na maior parte do tempo, alguns sintomas podem indicar emergência médica e exigem atendimento imediato, como:
Dor de cabeça intensa
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- Falta de ar
- Dor no peito
- Visão embaçada
- Sangramento nasal
- Confusão mental
- Fraqueza ou dormência em um dos lados do corpo
Pressão arterial igual ou superior a 180/110 mmHg é considerada situação de emergência A recomendação é que adultos acima de 20 anos façam a aferição da pressão arterial ao menos a cada dois anos. A partir dos 40 anos - ou antes, em pessoas com fatores de risco - o acompanhamento deve ser anual.