DADOS ALARMANTES

Impulsionada pelo sedentarismo, obesidade avança em crianças e adolescentes

Professora do curso de Educação Física indica formas de incentivar a atividade física e alternativas acessíveis para famílias de baixa renda

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Dados do Sistema Único de Saúde (SUS) mostram que uma em cada três crianças e adolescentes de 10 a 19 anos no Brasil está acima do peso. No mundo todo, pela primeira vez, a taxa de obesidade entre a faixa etária de 5 a 19 anos superou o de desnutrição, conforme o relatório de 2025 do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). Os números acendem um alerta para uma das principais causas da obesidade, o sedentarismo, agravado nos últimos anos pelo uso excessivo de telas.

“O sedentarismo infantil é um problema cada vez mais comum e pode trazer diversos impactos negativos. A falta de atividade física compromete o desenvolvimento motor, prejudicando principalmente a coordenação e a força. Além disso, crianças sedentárias têm maior risco de desenvolver obesidade infantil, o que pode desencadear outras condições de saúde, como diabetes tipo 2 e hipertensão ainda na infância ou ao longo da vida”, frisa Claudia Braga, professora do curso de educação física da Estácio BH, pós-graduada em treinamento esportivo pela UFMG. 

Para combater o sedentarismo, a professora recomenda a prática de atividades físicas variadas e prazerosas. 

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“Quando o movimento é associado à diversão, as chances de adesão aumentam. É importante observar o que a criança ou o adolescente gosta, em qual prática sente mais entusiasmo e vontade de participar. Alguns preferem atividades mais dinâmicas e coletivas, como futebol, vôlei, basquete e handebol, enquanto outros se sentem mais confortáveis em práticas individuais, como dança, natação e lutas. O ideal é experimentar diferentes atividades para descobrir o que realmente eles gostam. Vale ressaltar que o aspecto social também influencia bastante. Crianças e adolescentes tendem a se manter mais motivados quando estão com amigos”, afirma. 

Claudia Braga acrescenta que a atividade escolhida deve ser compatível com a idade e o nível de habilidade. “Quando é muito difícil, pode gerar frustração, quando é fácil demais, pode causar desinteresse. O equilíbrio entre desafio e capacidade é o que mantém a motivação”, observa.

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Para famílias em situação de vulnerabilidade econômica, os desafios tendem a ser maiores. Entretanto, Claudia Braga propõe alternativas acessíveis que incentivam a prática regular de atividade física. 

“Em famílias de baixa renda, é possível estimular crianças e adolescentes a se movimentarem com atividades simples e de baixo custo. Brincadeiras como correr, pular corda, jogar bola e fazer atividades em praças ou ruas já promovem bastante movimento. Dentro de casa, dançar, criar circuitos com objetos e desafios são boas opções. Além disso, incluir os filhos em tarefas do dia a dia, como caminhar ou ajudar em casa, contribui para reduzir o sedentarismo”, explica. 

A docente de educação física reforça ainda a importância de projetos gratuitos oferecidos por prefeituras e comunidades. “Iniciativas como Programas Esportivos, Academia a Céu Aberto e Academia da Cidade são algumas excelentes opções que ajudam a tornar a atividade física mais leve, acessível e divertida”, encerra.

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