Caminhada em BH alerta para sinais da doença celíaca
Especialistas revelam por que o diagnóstico dessa doença autoimune demora anos e como até a sua saúde mental pode estar sendo afetada por um erro comum
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A Federação Brasileira de Gastroenterologia (FBG), em parceria com a Acelbra-MG, promove no próximo domingo (17/5), às 8h30, a caminhada “Maio Celíaco”, na Praça Duque de Caxias, no bairro Santa Tereza, na Região Leste de Belo Horizonte.
Aberto ao público, o evento marca o início da campanha nacional “Pode ser doença celíaca” e busca ampliar a conscientização sobre os sinais, sintomas e a importância do diagnóstico precoce da doença, que ainda apresenta altos índices de subdiagnóstico no Brasil. A programação terá caminhada, ações educativas, orientações à população, sorteios e a presença de especialistas e representantes das entidades.
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Maio Celíaco
Estima-se que cerca de 1% da população mundial tenha doença celíaca (DC). No Brasil, isso representa de 2 milhões a 2,5 milhões de pessoas, sendo que até 80% ainda não sabem que convivem com a condição. Muitos casos não são identificados devido à variedade de sintomas.
“A doença celíaca é uma condição autoimune desencadeada pela ingestão de glúten, proteína presente no trigo, centeio, cevada e aveia, que danifica o intestino delgado e compromete a absorção de nutrientes”, explica Danielle Kiatkosk, gastroenterologista pela FBG e especialista em Endoscopia Digestiva.
Para ampliar a conscientização e combater a desinformação sobre a doença celíaca, a gastroenterologista respondeu aos principais mitos e verdades sobre o tema. Confira:
Mitos e verdades sobre a doença celíaca
1. A doença celíaca tem aumentado no mundo
Verdade. A prevalência cresceu nas últimas décadas, impulsionada pelo avanço dos métodos diagnósticos e pelo maior rastreamento de grupos de risco.
2. Apenas quem tem histórico familiar pode desenvolver a doença
Mito. Qualquer pessoa pode desenvolver doença celíaca. Embora exista predisposição genética, a maioria dos diagnósticos ocorre na vida adulta, com maior incidência em mulheres.
3. Reduzir o glúten já é suficiente para evitar complicações
Mito. O tratamento exige exclusão total e permanente do glúten, além de cuidado com a contaminação cruzada.
A Lei nº 10.674/2003 obriga a indicação “contém glúten” ou “não contém glúten” nos rótulos dos alimentos. No entanto, a retirada do glúten da dieta só deve ser feita após diagnóstico confirmado.
4. A doença pode causar outros problemas de saúde
Verdade. Entre as possíveis complicações estão anemia, osteoporose, enxaqueca, ataxia, dermatite herpetiforme, alterações menstruais e infertilidade.
5. Algumas condições aumentam o risco de desenvolver a doença
Verdade. O risco é maior em parentes de primeiro grau de pessoas com doença celíaca, pacientes com diabetes tipo 1, outras doenças autoimunes e síndrome de Down. Em mulheres, as manifestações podem surgir ou se intensificar durante a gestação e o puerpério.
6. O diagnóstico é simples e rápido
Mito. O diagnóstico envolve exames sorológicos, testes genéticos e, em muitos casos, biópsia do intestino delgado, ainda considerada padrão-ouro.
“Há uma necessidade urgente de ampliar a conscientização entre médicos sobre a diversidade de manifestações clínicas e a importância dos testes no diagnóstico”, destaca Danielle.
7. A doença celíaca também afeta a saúde mental
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Verdade. Sintomas como ansiedade, depressão, dificuldade de concentração e alterações de humor podem estar associados à doença. Em alguns casos, há relação com TDAH e transtorno do espectro autista.