Saúde do homem: hiperplasia da próstata pode comprometer qualidade de vida
Condição afeta cerca de 50% dos homens após os 50 anos
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A hiperplasia benigna da próstata (HPB) é uma doença frequente entre homens, especialmente a partir dos 50 anos, caracterizada pelo crescimento não cancerígeno da próstata. De acordo com o uro-oncologista Francisco Fonseca, mestre e doutor pela USP, o aumento ocorre em uma região específica chamada zona transicional, localizada ao redor da uretra prostática, podendo comprometer o fluxo urinário ao longo do tempo.
“O crescimento da próstata começa de forma lenta e progressiva, geralmente entre os 25 e 30 anos, mas os sintomas costumam aparecer décadas depois. Por isso, muitos homens não percebem a evolução da doença até que ela passe a impactar significativamente o dia a dia”, explica o especialista.
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Segundo a Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), a HPB afeta cerca de 50% dos homens acima dos 50 anos e até 80% a 90% aos 90 anos.
Sintomas
Entre os principais sinais da HPB está a alteração no padrão urinário. O jato urinário fraco é o sintoma mais comum, frequentemente acompanhado por aumento da frequência urinária, inclusive durante a noite, urgência para urinar, sensação de esvaziamento incompleto da bexiga, dificuldade para iniciar a micção e interrupção do jato.
Francisco explica que esses sintomas podem variar em intensidade e não estão necessariamente relacionados ao tamanho da próstata. “Há pacientes com próstata pouco aumentada, mas com sintomas intensos, e outros com próstata volumosa e poucos sintomas. Por isso, a avaliação clínica deve ser sempre individualizada.”
O diagnóstico da hiperplasia benigna da próstata envolve uma análise criteriosa dos sintomas, exame físico e exames complementares. A ultrassonografia do trato urinário é geralmente o primeiro exame solicitado, permitindo avaliar rins, bexiga e o volume prostático.
Além disso, outros exames podem ser solicitados para a análise de casos específicos, como tomografia, ressonância magnética ou urografia excretora. Em situações particulares, a cistouretrografia miccional pode ser necessária para identificar a presença de estreitamento uretral.
O tratamento inicial da HPB costuma ser medicamentoso. Os chamados alfa-bloqueadores atuam relaxando a musculatura da próstata e da uretra, facilitando a passagem da urina.
“A escolha do tratamento depende da intensidade dos sintomas, do impacto na qualidade de vida e das condições clínicas de cada paciente”, afirma o especialista.
Tratamento cirúrgico
Quando o tratamento clínico não é suficiente ou há complicações, a intervenção cirúrgica pode ser indicada. O procedimento considerado padrão-ouro é a ressecção endoscópica da próstata, que remove a porção responsável pela obstrução urinária.
Atualmente, técnicas modernas vêm ganhando espaço, como a vaporização a laser, a ressecção com bisturi bipolar, o uso de laser Thulium e o HoLEP (enucleação prostática com laser de holmium), que apresentam bons resultados e recuperação mais rápida.
A HoLEP é considerada o padrão-ouro para o tratamento do aumento benigno da próstata, pois promove a remoção completa do adenoma, oferecendo resultados duradouros e menor chance de retratamento. Trata-se de um procedimento minimamente invasivo, realizado por via endoscópica, que proporciona alívio significativo dos sintomas urinários.
Durante a cirurgia, o paciente não sente dor, e a função erétil costuma ser preservada, mantendo o prazer sexual. No entanto, é importante destacar que pode ocorrer a ausência ou a redução do sêmen durante a ejaculação.
O procedimento também se destaca pela recuperação mais rápida em comparação a técnicas tradicionais, permitindo que o paciente retome suas atividades com mais agilidade e segurança.
Prevenção
Embora o envelhecimento e a predisposição genética sejam fatores inevitáveis, há condições que podem aumentar o risco de desenvolvimento ou agravamento da HPB, como sedentarismo, obesidade, diabetes, colesterol elevado, doenças cardiovasculares, consumo de álcool e tabaco, além de inflamações prostáticas prévias.
“A adoção de hábitos saudáveis e o acompanhamento médico regular são fundamentais para prevenir complicações e garantir o diagnóstico precoce”, orienta Francisco.
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A hiperplasia benigna da próstata, apesar de não ser um câncer, pode comprometer significativamente a qualidade de vida se não for tratada adequadamente. Por isso, a orientação é que homens a partir dos 50 anos - ou antes, em caso de histórico familiar - procurem avaliação urológica regular.