Baixa testosterona? Saiba quando reposição hormonal é necessária
Especialista explica os possíveis efeitos colaterais e os impactos na fertilidade masculina
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A terapia de reposição hormonal masculina (TRT) chama cada vez mais a atenção dos homens. Isso porque, à primeira vista, ela pode ser identificada como uma solução para aqueles que possuem baixa testosterona, sendo confundida, muitas vezes, como otimização ou melhora estética do desempenho sexual. Porém, o que muitas pessoas do sexo masculino ignoram é o fato de ela ser um tratamento médico para uma condição clínica bem definida.
De acordo com o urologista e andrologista Pedro Bastos, a TRT consiste na administração de testosterona para homens com deficiência comprovada do hormônio, associada a sintomas clínicos. Isso quer dizer que nem todo homem com baixa testosterona precisa iniciar a reposição hormonal; a decisão depende da presença de sintomas, da confirmação laboratorial e do contexto clínico global de cada paciente.
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“Apesar de ser um tratamento seguro quando bem conduzido, a terapia de reposição hormonal pode apresentar efeitos colaterais. Entre os principais estão o aumento da quantidade de glóbulos vermelhos no sangue, além de acne, oleosidade da pele, retenção de líquidos, ginecomastia, em alguns casos, e a redução da produção natural de testosterona. A terapia é segura quando bem indicada e acompanhada, mas não deve ser iniciada sem avaliação médica especializada”, explica.
Segundo Pedro, quando corretamente indicada, a reposição hormonal pode trazer benefícios como melhora da libido e da função sexual, aumento da energia e disposição, ganho de massa muscular e força, redução da gordura corporal e impacto positivo na densidade óssea, no humor e na qualidade de vida. De forma geral, os benefícios tendem a ser progressivos e dependem de acompanhamento adequado.
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“Antes de iniciar o tratamento, é necessária uma avaliação clínica e laboratorial completa”, destaca o médico. “Entre os exames mais comuns está a medição da testosterona total — feita pela manhã, em duas coletas —, além de análises que ajudam a entender como o hormônio circula no organismo e como o corpo está funcionando de forma geral, incluindo indicadores hormonais, metabólicos e da saúde do sangue.”
“Também são avaliados níveis de glicose e colesterol e, em alguns casos, o PSA, um exame relacionado à saúde da próstata, especialmente em homens acima dos 45 anos e com fatores de risco”, acrescenta.
Impacto na fertilidade e libido
Um dos pontos de alerta em relação à terapia é o impacto na fertilidade masculina. Isso porque a testosterona exógena pode impedir a produção de espermatozoides, conforme explica o urologista: “A reposição hormonal pode levar à infertilidade temporária ou, em alguns casos, prolongada. Por isso, homens que pretendem ter filhos devem ser avaliados com cautela. Nesses casos, é possível considerar alternativas terapêuticas que preservem a espermatogênese, dependendo do perfil e dos objetivos do paciente”, ressalta.
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Vale lembrar que nem sempre a reposição hormonal é o único caminho para a falta de libido. A depender da causa da baixa testosterona após os exames, mudanças no estilo de vida podem ser suficientes para reverter o quadro, por exemplo, melhora do sono, alimentação equilibrada e prática de exercícios físicos, assim como o tratamento de comorbidades, entre elas obesidade e resistência insulínica, que podem ter impacto direto na produção hormonal.
Para os pacientes que iniciam a terapia, o acompanhamento médico regular é indispensável, com avaliação dos níveis de testosterona, controle do hematócrito, acompanhamento do PSA e análise da evolução dos sintomas, especialmente nos primeiros meses.
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“O principal alerta está no uso indiscriminado da testosterona. A reposição hormonal deve ser encarada como um tratamento médico individualizado, e não como solução genérica para cansaço ou queda de desempenho. A indicação adequada é o que define quem realmente se beneficia da terapia, evitando riscos desnecessários”, destaca o especialista.