Em um cenário de crescente estresse diário, econômico e social, a dança tem se destacado como uma poderosa ferramenta para promover o bem-estar e a saúde mental. De acordo com um estudo publicado em maio de 2025 na revista Psychology of Sport & Exercise, a dança é aliada no combate ao estresse, promovendo resiliência e bem-estar. A pesquisa aponta a prática facilita a expressão emocional e fortalece laços sociais, o que ajuda a reduzir significativamente os níveis de ansiedade, nervosismo e cortisol (o hormônio do estresse).
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"A dança é uma linguagem que nos coloca em contato direto com os nossos cinco sentidos. Quando dançamos, experimentamos o atravessamento das nossas emoções mais profundas, justamente porque ela mobiliza o corpo de forma integral. Existe uma ativação simultânea do físico, do emocional e do simbólico. Durante a atividade estimulamos a liberação de neurotransmissores como endorfina, serotonina e dopamina, responsáveis pelas sensações de prazer, bem-estar e motivação”, explica Fernanda Terra, professora do curso de dança EAD da UniCesumar.
Para muitas pessoas, verbalizar sentimentos pode ser um desafio a dança, nesse contexto, surge como um canal de expressão não-verbal, permitindo que emoções "presas" sejam liberadas e processadas. "O corpo é o nosso primeiro lugar de percepção e escuta; antes de falarmos, nós nos movemos. O movimento espontâneo é um gesto simbólico capaz de traduzir conteúdos inconscientes que a palavra ainda não alcança", ressalta Fernanda.
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Expressão, controle e autoestima
Iniciativas como aulas de rua, grupos de dança popular, funk, samba e dança de salão têm se transformado em importantes espaços de acolhimento, ajudando a reduzir a ansiedade, combater o isolamento e devolver a sensação de controle para aqueles que se sentem impotentes diante das adversidades da vida.
Aprender um novo passo e dominar o próprio corpo também pode ter um impacto significativo na autoestima e na sensação de controle. "Enquanto o corpo dança, um processo interno de reorganização acontece. Existe um processo de reconexão com a própria potência", diz a professora, que relata a experiência de uma aluna de 55 anos que, ao conseguir executar um movimento desafiador, percebeu que era capaz de conquistar o que quisesse, independentemente da idade.
Resistência e acessibilidade
Em contextos de vulnerabilidade social e econômica, espaços de dança comunitários se tornam territórios de resistência e cuidado coletivo. Grupos populares como o funk, o samba e a dança de rua, por serem mais acessíveis e democráticas, são especialmente potentes nesse sentido, pois não exigem um corpo padrão ou uma técnica rígida, permitindo uma expressão mais livre e autêntica.
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"Esses movimentos nascem de contextos históricos e sociais marcados por resistência e ancestralidade. Elas devolvem ao sujeito a autoria do próprio movimento e fortalecem o sentimento de pertencimento e identidade. Para aqueles que não podem ou não querem frequentar aulas, dançar sozinho em casa, livremente, também pode trazer benefícios significativos para a saúde mental”, comenta a professora.
