Com o Dia Mundial da Saúde, lembrado nesta terça-feira (7/4), seguido pelo Dia Mundial de Combate ao Câncer (8/4), especialistas alertam para um tema que ainda recebe pouca atenção: a saúde masculina. As duas datas criam uma oportunidade para discutir prevenção, diagnóstico precoce e decisões de tratamento.

Como exemplo de doença que precisa ser mais bem discutida, está o câncer de próstata, um dos tipos de câncer mais frequentes entre homens no Brasil, e apesar da alta incidência, a doença ainda é cercada por estigmas e barreiras culturais que atrasam a busca por informação e acompanhamento médico. Muitas vezes, a conversa só acontece quando surgem sintomas ou quando a condição já está em estágio mais avançado.

De acordo com projeção recente do Instituto Nacional de Câncer (Inca), divulgada para o triênio 2026–2028, o Brasil deverá registrar 77.920 novos casos de câncer por ano, um aumento de mais de 10% em relação às estimativas anteriores. O cenário reforça a importância de ampliar a conscientização sobre prevenção e cuidado com a saúde, especialmente quando se trata da saúde masculina.

No entanto, o estigma em torno do tema ainda faz com que muitos homens adiem conversas importantes, o que pode impactar diretamente a jornada de cuidado em doenças como o câncer de próstata.

"Nos últimos anos, a ciência avançou significativamente no cuidado do câncer de próstata. Hoje, sabemos que discutir as opções terapêuticas no momento certo, entendendo todas as opções com seu médico, pode ajudar a retardar a progressão da doença e contribuir para a preservação da qualidade de vida dos pacientes", afirma o oncologista e pesquisador Fernando Maluf.

Com o avanço da pesquisa científica, o tratamento do câncer de próstata passou a contar com diferentes abordagens terapêuticas ao longo da jornada da doença. Dependendo do estágio do câncer e das características de cada paciente, as opções podem incluir:

  • Cirurgia: indicada em alguns casos para a remoção da próstata, especialmente em fases iniciais da doença
  • Radioterapia: utiliza radiação para destruir células tumorais ou impedir seu crescimento
  • Terapias hormonais: bloqueiam a atividade ou a produção de testosterona, hormônio que pode estimular o crescimento do tumor
  • Quimioterapia: utilizada principalmente em estágios mais avançados, com o objetivo de controlar a progressão da doença
  • Terapias mais recentes, como os radioligantes: ajudam a atingir o câncer com maior precisão e menor impacto em tecidos saudáveis.

A definição do tratamento é feita de forma individualizada, considerando o perfil de cada paciente e sempre em conjunto entre médico e paciente.

“Quando pacientes, cuidadores, familiares e médicos conseguem conversar mais cedo sobre a condição, abre-se espaço para entender melhores cenários e avaliar as diferentes possibilidades de tratamentos disponíveis. O momento em que essa conversa acontece pode fazer diferença na jornada do paciente”, comenta Fernando.

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Para especialistas, aproveitar momentos como o Dia Mundial da Saúde e o Dia Mundial de Combate ao Câncer para ampliar o diálogo sobre saúde masculina é essencial para reduzir estigmas e incentivar homens e suas famílias a buscarem informação e acompanhamento médico mais cedo.

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