Casos recentes de mortes súbitas durante a prática de atividade física, especialmente em academias, voltaram a chamar atenção para um ponto crítico que costuma ser negligenciado: a ausência de avaliação prévia antes do início de exercícios mais intensos.
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Apesar do caráter repentino, o ponto central não está apenas no evento em si, mas no que veio antes dele.
Segundo o neurocirurgião do Hospital Quali Ipanema, Orlando Maia, especialista em doenças cerebrovasculares, muitos desses casos não acontecem de forma totalmente imprevisível.
“Na maioria das vezes, existem sinais prévios ou fatores de risco que não foram investigados. O problema é que esses sinais podem ser discretos e acabam sendo ignorados”, explica o médico.
O especialista destaca que o mal súbito pode ocorrer em diferentes faixas etárias, inclusive em pessoas jovens e até atletas. No entanto, é mais frequente em indivíduos que já possuem condições pré-existentes, como hipertensão, diabetes, insuficiência cardíaca ou aterosclerose, além de histórico familiar relevante e tabagismo.
O neurocirurgião defende que a prática de atividade física segue sendo uma recomendação importante para a saúde.
“O alerta não é contra o exercício, mas contra a forma como ele é iniciado. Iniciar uma rotina de treino mais intensa sem avaliação pode expor o organismo a um nível de exigência para o qual ele ainda não está preparado. Em alguns casos, isso pode desencadear eventos graves”, alerta.
Entre os sinais que merecem atenção antes de iniciar atividades físicas mais exigentes, o médico destaca: desmaio, tontura frequente, dor de cabeça fora do padrão habitual, palpitações e alterações neurológicas transitórias.
“Esses sintomas não devem ser normalizados. Podem parecer pontuais, mas, dependendo do contexto, precisam ser investigados antes de qualquer sobrecarga física”, reforça.
Para o especialista, a avaliação prévia com um cardiologista e um neurocirurgião não deve ser vista como excesso de cuidado, mas como parte da decisão responsável de iniciar uma rotina de exercícios com segurança.
“Avaliar antes não é exagero. É uma forma de reduzir riscos, evitar atrasos diagnósticos e, em alguns casos, prevenir situações graves de saúde”, alerta o médico.
