Doença de Crohn ou retocolite? O detalhe que muda o diagnóstico
Elas são frequentemente confundidas, mas os sinais no corpo são bem diferentes. Conheça os sintomas iniciais que a maioria das pessoas prefere ignorar
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O Maio Roxo, mês de conscientização sobre as doenças inflamatórias intestinais (DII), chama a atenção para um problema de saúde que cresce de forma silenciosa no Brasil. Segundo a Sociedade Brasileira de Coloproctologia, mais de 100 mil brasileiros convivem atualmente com essas doenças crônicas, que afetam o trato digestivo e impactam diretamente a qualidade de vida.
Os números acendem um sinal de alerta: de acordo com o Ministério da Saúde, o país registrou um aumento de 61% nas internações por doenças inflamatórias intestinais nos últimos dez anos — um crescimento que acompanha mudanças no estilo de vida, alimentação e níveis de estresse da população.
O cirurgião do aparelho digestivo Rodrigo Barbosa explica que as principais doenças desse grupo são a doença de Crohn e a retocolite ulcerativa, condições que podem evoluir de forma progressiva e, muitas vezes, passam despercebidas nos estágios iniciais.
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Veja a diferença entre as duas condições:
Doença de Crohn
O que é: doença inflamatória crônica que pode afetar qualquer parte do trato digestivo, da boca ao ânus, sendo mais comum no intestino delgado e no início do intestino grosso.
Principais sinais
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Dor abdominal recorrente (principalmente no lado direito)
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Diarreia crônica (nem sempre com sangue)
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Perda de peso
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Fadiga intensa
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Febre em fases de atividade
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Fístulas e lesões na região anal (em casos mais avançados)
Tratamento
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Medicamentos anti-inflamatórios e imunossupressores
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Terapias biológicas (para controle da inflamação)
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Antibióticos (em complicações específicas)
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Cirurgia (em casos de obstrução, fístulas ou falha do tratamento clínico)
Apesar de não ter cura, a doença pode entrar em remissão com tratamento adequado.
Retocolite ulcerativa
O que é: doença inflamatória que afeta exclusivamente o intestino grosso (cólon e reto), com inflamação contínua da mucosa intestinal.
Principais sinais
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Diarreia com sangue e muco
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Urgência para evacuar
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Sensação de evacuação incompleta
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Dor abdominal (mais difusa)
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Anemia (devido à perda de sangue)
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Cansaço
Tratamento
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Anti-inflamatórios intestinais (como mesalazina)
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Corticoides (em crises)
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Imunossupressores
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Terapias biológicas
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Cirurgia (em casos graves ou refratários — pode ser curativa ao remover o cólon)
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De modo geral, Rodrigo ressalta que a sensação de estufamento e desconforto abdominal, o acúmulo de gases (flatulência), as cólicas intestinais, diarreia ou constipação, falta de apetite, perda abrupta de peso, enjoos, sangue nas fezes ou grande mudanças nos hábitos de evacuação precisam ser investigados a partir dos primeiros sinais.