MEDICINA PERSONALIZADA

O fim da "fórmula única": conheça a nova era da saúde feminina

Especialista defende que terapias para a menopausa devem focar na individualização de sintomas e doses; tratamento deixa de ser luxo e vira um dever ético

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Enquanto a medicina avança a passos largos no mapeamento genético e na oncologia de precisão, o tratamento de uma fase natural da vida feminina — a transição para a menopausa — ainda enfrenta barreiras que vão do tabu cultural à generalização clínica. Para Walter Pace, professor da Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais (FCMMG) e presidente da Sociedade Brasileira de Medicina Personalizada (SBMP), é urgente elevar o nível desse debate.

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Em destaque, a defesa de que a saúde da mulher não pode mais ser tratada sob uma lógica de "tamanho único". Segundo o especialista, o climatério e a menopausa são períodos que envolvem alterações metabólicas, cognitivas e vasculares profundas, exigindo um acompanhamento médico minucioso.
Um dos temas mais sensíveis atualmente é a terapia hormonal, incluindo o uso de testosterona.

Walter chama a atenção para importância da legitimidade da manipulação terapêutica
Walter chama a atenção para importância da legitimidade da manipulação terapêutica Arquivo pessoal

Walter explica que, quando fundamentada em critérios clínicos rígidos, a reposição não é uma busca estética, mas a restauração do equilíbrio do organismo, a chamada homeostase. "A deficiência androgênica na mulher pode acarretar perda de massa óssea, fadiga crônica e prejuízos significativos à libido e ao bem-estar mental", afirma o médico, reforçando que tratar esses sintomas de forma personalizada é um dever ético.

 

O papel das farmácias de manipulação

O especialista destaca a legitimidade da manipulação terapêutica. Recentemente, autoridades sanitárias reforçaram que essa prática é essencial para atender biotipos específicos que a indústria de larga escala nem sempre consegue suprir com precisão de dosagem.

Para a SBMP, o rigor deve estar na fiscalização contra o mau uso de substâncias, sem que isso leve à "demonização" de tratamentos legítimos que promovem vitalidade e longevidade. "O medo não deve ser a baliza da medicina; a evidência deve", enfatiza o médico.

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Segundo Walter, a missão das instituições agora se concentra em dois pilares:

  • Educação continuada, garantindo que a classe médica esteja atualizada sobre as inovações
  • Informações claras para combater o preconceito com dados científicos para que a paciente receba o tratamento certo, na dose certa e no momento certo

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