SAÚDE FEMININA

Longevidade: por que a reposição hormonal não deve ser tratada como um tabu

Veja como o equilíbrio hormonal na mulher madura vai além da estética, sendo crucial para a saúde física, cognitiva e prevenção de doenças metabólicas

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A visão da medicina sobre o envelhecimento feminino passou por uma transformação profunda nos últimos anos, distanciando-se de conceitos obsoletos que limitavam o papel da mulher à reprodução. Em 2026, a longevidade ativa é a meta, mas os desafios biológicos permanecem: dados da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia indicam que a menopausa ocorre, em média, aos 51 anos, frequentemente acompanhada por sintomas que comprometem a capacidade cognitiva e a saúde metabólica. 

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No passado, a queda hormonal era vista como um processo natural de aposentadoria biológica para que a mulher auxiliasse no cuidado da família, mas a realidade atual exige vitalidade máxima, já que muitas estão no auge de suas carreiras e lidando com múltiplas responsabilidades sociais e familiares simultaneamente.


Para o médico Rafael Fantin, endocrinologista e metabologista - especialista em Medicina do Exercício e Esporte e, também, em prática ortomolecular e nutrigenômica -, o termo que melhor define a reposição de hormônios sexuais é a vitalidade, sendo indicada para todas as pacientes que não apresentam contra indicações claras. Ele explica que o receio em torno do tratamento é herança de um vácuo científico iniciado nos anos 2000, devido a estudos com metodologias e substâncias hoje ultrapassadas.

"Muitas mulheres ainda têm medo porque um estudo antigo utilizou medicações que não usamos mais em grupos de risco, gerando um alarde desnecessário sobre o câncer. Hoje, as evidências mostram que a terapia reduz a mortalidade e a morbidade; por isso, a pergunta correta não é se deve fazer, mas se existe alguma restrição específica para o seu caso", afirma o especialista.


A transição para a menopausa não acontece subitamente, sendo precedida pela perimenopausa, que se manifesta através de irregularidades no ciclo e sinais como a névoa cerebral, acúmulo de gordura visceral e os fogachos. Segundo Fantin, esses calores intensos seguidos de suor noturno são frequentemente mal compreendidos pelas pacientes, mas sinalizam uma privação que afeta diretamente o bem-estar. O médico ressalta que o tratamento moderno busca o equilíbrio entre estrogênio e progesterona, preferindo vias que evitem a passagem hepática para reduzir riscos vasculares. "A progesterona oral ajuda no sono, uma das maiores queixas nessa fase, enquanto a testosterona pode ser reposta em doses fisiológicas e individualizadas, desde que o corpo esteja preparado para receber esse estímulo", pontua.


Um dos pontos mais sensíveis da discussão atual envolve a saúde neurológica e a prevenção de doenças degenerativas. O médico destaca que a janela de oportunidade para iniciar o tratamento é crucial para proteger o sistema nervoso central. "Se a terapia começa cedo, mantemos a complacência vascular e o transporte adequado de glicose para o cérebro. Se demorar demais, o corpo se adapta à deficiência e o benefício protetor contra o Alzheimer e a demência se perde. O hormônio administrado corretamente em um terreno biológico favorável é um aliado do raciocínio e da cognição", esclarece o endocrinologista e metabologista.


A duração do tratamento também deixou de ser uma regra rígida, passando a depender da resposta individual e da manutenção de um estilo de vida saudável. Para pacientes que mantêm exames sob controle e qualidade de vida elevada, não há um prazo determinado para interromper a terapia, desde que o monitoramento seja contínuo. O especialista pondera, entretanto, que o aspecto psicológico é fundamental: mulheres que guardam receios profundos sobre o tratamento, mesmo com indicação clínica, devem ter sua vontade respeitada, pois a segurança emocional faz parte do sucesso terapêutico.


Fantin alerta também que a reposição não é uma solução isolada, mas sim uma ferramenta biológica dentro de um contexto maior. O hormônio devolve a energia e o humor necessários para que a mulher consiga manter hábitos essenciais, como exercícios físicos e uma alimentação equilibrada. "Não adianta apenas repor substâncias se não houver atenção ao sono, ao estresse e à nutrição. O hormônio te dá a base para sustentar o que você precisa fazer por si mesma, garantindo que a maturidade seja vivida com a plenitude que a sociedade moderna exige", ensina.

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